Tuesday, March 29, 2005
Carta Náutica
Aposentei os óculos. Bato o carro em média 2 vezes por ano. Sou completamente desorientada em termos geográficos. Viajaria por todos os lugares do mundo. Não bebo Coca-Cola. Não tenho medo de altura, nem de velocidade. Já andei pendurada em porta de carro mais vezes do que o bom senso recomenda, já andei a cavalo em todo tipo de paisagem e já fiquei a beira de precipícios porque a vista era legal, mas já quase caí do sexto andar fugindo de um pinto. Logo, minha definição de coragem é dúbia. Faço quase qualquer coisa por um momento bom. Uma das frases mais interessante que ouvi nos últimos tempos: “Envelhecer é foda, mas morrer jovem é pior”. Queria ser imortal e jovem para sempre. Estou deixando o cabelo crescer de novo. Detesto bermudas sem bolsos. Senso de humor é algo importantíssimo. Tenho igual capacidade de rir e de chorar, e de fazer rir e de fazer chorar. Ofendo-me com ridícula facilidade. Não suporto joguinhos amorosos, voto pela naturalidade e sinceridade dos acontecimentos e não tenho paciência para lógicas muito complexas. O que mais gosto de ver numa pessoa é o sorriso. Se ficar cega, terei overdose de música. Se fosse surda, acho que entenderia o conceito de jazz olhando um Pollock. Se eu tivesse voz, eu diria mais. Concerto Brandeburguês nº 3, 1º movimento. A monogamia é um defeito genético. Sou passional e impulsiva, mistura nem sempre interessante. Preciso de muitas horas de sono. Não uso drogas. Meus vícios são açúcar e adrenalina. A rotina estraga qualquer aspecto da minha vida. Nem tudo que é bom tem que durar pra sempre, porque não dura mesmo. Do grande amor da minha vida só me importou de fato um único segundo. Ainda não inventaram meio de transporte mais rápido que o livro. A dança é eficaz exorcismo. Devires. Se algum dia eu pensar seriamente em ter filhos, estarei vivendo a maior mudança da minha vida. Sou fã do Amyr Klink. Ainda não fiz nem metade do que pretendo deixar feito antes de morrer, mas desconfio que eu diria a mesma coisa mesmo se vivesse por 100 anos. Tudo o que já li por aí sobre o signo de Touro dá certo comigo, ceticismos à parte. Sinto-me muito bem em água de todo tipo de fonte, do chuveiro ao mar. Sou fonte quase inesgotável de carinho, dando e recebendo. Eu não acredito em Deus. “Andar na moda” é umas das mais ridículas construções humanas. Lembro de um professor do tempo de colégio dizendo, segurando o relógio: “Quem usa um negócio desses, não pode ser feliz”. Gosto de anéis e pulseiras. Batom só vale escuro. A maior sorte da minha vida, depois de nascer com saúde, foi a minha família. Ética é umas das qualidades que mais prezo. Nem toda sinceridade é publicável. Eu ainda não sei o quero ser quando crescer. A Arte é umas das mais preciosas invenções humanas. As diferenças culturais são fascinantes. Eu sinto a música também na pele. Eu invejo todo e qualquer tipo de autonomia e independência. A minha memória é péssima testemunha. Eu sou irreverente e alheia a certas convenções que não compreendo. Intensidade. Finitude. Plenitude. Paz de espírito. Impossibilidades. Tagarela ou monossilábica. Às vezes, áspera. Atenciosa. Tudo por um grande amor. “Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação” – Mário Quintana.
Monday, March 28, 2005
Termômetro
Acho que descobri uma finalidade para esse tal blog: um termômetro. Sim, porque um simples diário que se guarda na gaveta não se compara a um diário que qualquer pessoa do mundo possa ler. Um diário público é como um Big Brother (esse programa estúpido que faz tanto sucesso). Um diário público precisa ter emoção, suspense, sustos, ação, dramas, conquistas, aventuras e finais surpreendentes. Agora, voltemos à vida real: quantos dos nossos dias apresentam algum desses sintomas? Só se for o susto do valor da conta do celular, o drama de sobreviver a um assalto, a aventura de cruzar a cidade debaixo de chuva. E o final surpreendente: mais um dia se passou, e você não fez absolutamente nada demais da sua vida. 24 horas gastas com a mais insossa – e comum - das existências: jornal, trabalho, trânsito, tv etc. Não, eu me recuso. O nome do blog é Diário de Bordo, e o barco em si chamar-se-á Termômetro. Vejamos por onde ele navega, pra que águas ele corre. E ao fim do dia, que eu possa cansar de tanto escrever as novidades para finalmente concluir: hoje fiz valer a pena cada respiração, cada uma das 90.000 batidas do meu coração.
Sunday, March 27, 2005
E sobe a âncora...
Ok. Aderi a esse tal de blog. Ainda analisando qual é a vantagem. Mas como algumas das pessoas que mais admiro criaram os seus, eu suponho que haja algo de bom nisso. Vejamos.
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