Wednesday, September 07, 2005

Carta Náutica - 3

É ótimo tomar as rédeas da própria vida de vez em quando. Estou ansiosa pelo meu futuro, mas sei que não importa a conclusão, e sim o desenrolar. Zen: preocupe-se com o processo, e não com o produto. Osho: “Somente aqueles que são muito corajosos, não se importando com a meta e se contentando com a jornada, satisfeitos simplesmente de viver o momento e de nele crescer... somente aqueles são capazes de caminhar com totalidade”. Eu gosto de tarôs, mesmo tendo considerável ceticismo em relação a eles. Será que teria graça ter certezas sobre o futuro? Não sei me conter quando estou alegre. Eu passei muito sem saber que precisamos uns dos outros, agora estou tentando corrigir meu erro. A menina que leu minha mão tinha razão: eu preciso criar juízo (mas eu num sei se quero/consigo não!). Buñuel é um gênio. Adoro usar botas. Já vivi momentos de cinema, absolutamente inesquecíveis – sim, pode acontecer. Que saudade dos finais de semana da minha infância na fazenda, nostalgia inconsolável. Andar de caiaque me foi mais libertador que andar a cavalo, mas muito mais cansativo. Espírito offroad. Adoro fotografar. A fotografia não rouba a alma do fotografado, mas sim a do fotógrafo. Cheiro de chuva. Cheiro de mato molhado. Samba, suor e cerveja. Não resisto a uma mente ágil. Adoro a elegância das roupas de frio. Será que eu ainda sei andar de bicicleta? Será que um dia eu vou conseguir equilibrar a moto? Quem sabe um dia, um 4 x 4. Adoro andar no meio do mato. Eu durmo agarrada no travesseiro. Eu aprendi a andar de skate quando adolescente. Eu não faria uma tatuagem nem nada irreversível, mas acho massa quem tem. Prezo muito a educação. Não gosto de mentiras. Adoro dirigir. Eu tenho uma inexplicável ligação sentimental com a cultura oriental. Dentro do que pude, acho que vivi intensamente. Ás vezes minha alma parece não caber em mim – e é quase uma dor, uma dor boa. Acho que eu precisava de pelo menos umas 4 vidas pra dar conta da minha imaginação. Já que é pra sonhar, vamos sonhar: fotógrafa da National Geographic. Gosto de fotografar gente. É indescritível a sensação de desenhar e congelar intensidades. Talvez seja uma tentativa de se apropriar e absorver o intangível. Eu prego a paz, mas falta de respeito me faz ferver o sangue e eu corro o risco de partir para a violência física. Brigas verbais me estressam mais que as físicas. Eu sempre me destaquei nas artes marciais que pratiquei pelo meu espírito agressivo. Calma, não se assuste, eu sei me controlar. Hoje me dedico somente à dança. “Memorial de Maria Moura”. Clara Nunes, Clementina de Jesus, Cartola, Ataulfo Alves, Adoniran Barbosa etc. Prezo muito a simplicidade. Eu queria ter uma moto, mas morro de medo de cair. Companheirismo e lealdade não têm preço. Eu já fiz quase tudo que já tive vontade e condições de fazer. Os seres (in)humanos não evoluíram espiritualmente, são ainda completamente irracionais. Eu queria voar. Busca: ser/sentir-me Um com Tudo Que Existe. Sofro de um grau leve e saudável de narcisismo. Se eu fosse expressar meu grau de espanto com o mundo, ficaria paralisada. Fofoca é coisa de gente infeliz, que não tira prazer da própria vida. Eu topava ser vampira. Devorei a trilogia das “crônicas vampirescas” da Anne Rice: “Entrevista com o Vampiro”, “O Vampiro Lestat” e “A Rainha dos Condenados”. O filme que provavelmente foi o que mais assisti na minha vida, durante a minha infância: “A Hora do Espanto”. Permitir que a miséria exista mostra o quão egoístas e frios nós somos. “Caetano e Chico – Juntos e Ao Vivo”. Sinto um vazio espiritual que ainda não sei como preencher. Condeno todo tipo de preconceito. Queria poder andar na rua sem sentir medo da violência. Já me decepcionei muito com as pessoas, estou quase deixando de me espantar. Também marcaram minha infância: “E o Ventou Levou...” e “A Noviça Rebelde”. Outra dele: “Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão”.