Thursday, December 08, 2005
Carta Náutica - 4
Se você gostou de “Diários de Motocicleta”, não deixe de ler um dos livros no qual ele foi baseado: “De Moto Pela América do Sul – Diário de Viagem” - maravilhoso. Acho tão primitivo que guerras ainda aconteçam, é totalmente ridículo de tão irracional. Para onde vamos sem respeitar a vida humana? É muito revoltante alguém se sentir no direito de maltratar ou tirar a vida de outra pessoa. Já dizia meu sábio pai: “eu devo ter caído no planeta errado”. Meu pai é um grande homem. Todos os livros do Amyr Klink. “O Morro dos Ventos Uivantes”. “Jane Eyre”. O auge da coragem: atrás do computador ou deitada pensando no que fazer. Eu me apego fácil. Eu já usei o cabelo bem curtinho, como de homem. O dia da minha festa de formatura foi um dos mais felizes da minha vida, não pela formatura em si, mas pela festa astral que foi. Eu queria falar várias línguas. O Danilo e a Priscilla falam a minha língua, e isso é raro. E o Victor lê meus pensamentos. Não tem coisa pior em um possível relacionamento do que perceber que as mesmas palavras têm sentidos diferentes para cada um, e os erros frustrantes de comunicação que isso gera. Aprendi que tomar banho sentada no chão do box pode ser extremamente agradável. Velas e incensos. Pat Metheny. Pedro Aznar. Meus vícios na adolescência: Legião Urbana e The Doors. Ainda guardo a fita cassete que as outras Devótchkas gravaram pra mim com Portishead. Eu toquei em uma banda chamada Devótchkas. Saudade da ausência somente geográfica e cotidiana da Veruzza. A intimidade é uma das mais doces conquistas. Eu tenho uma boina preta que eu adoro. Coração de manteiga: chorei no “A Era do Gelo”, no “História sem Fim”, no “Filadélfia” (7 vezes!!!) e fiquei vendo só água no “À Espera de um Milagre”. Devorei “O Mahabharata”, na versão de Jean-Claude Carrière. Eu pensei que ler Sartre fosse (re?)despertar meu lado suicida, mas que nada, foi justamente ao contrário – eu sou demais!!! É bom demais estar viva. Adoro demonstrações explícitas de carinho. Eu gosto de abraços, flores e cheirinhos. Eu uso o mouse com qualquer uma das mãos. Odeio quando sinto uma coisa e não entendo o porquê. Milton Nascimento. Às vezes eu uso dois pesos, duas medidas, dois relógios. Odeio ser chamada a atenção. Fazer Tai Chi é mergulhar no seco. Eu tenho certa facilidade de decidir e não olhar pra trás. Penso sempre na morte, em como só vivemos uma vez, em como essa única vez passa rápido e ainda pode acabar a qualquer momento, em como a velhice me será terrível, e aí, sabendo que eu penso isso, observe: tudo que você acha sem sentido em mim, é mais que lógico, é obrigatório. À primeira vista, sou contradições; olhando de perto, sou obviedades. Faço do banho quase um ritual de purificação e renovação. Já levei uma queda antológica. Ansiosa pela disciplina de laboratório de Teatro na pós. Às vezes acho que me daria bem no palco. Síndrome da fama frustrada. Eu me divirto ao divertir. Ponto fraco: alisar meu cabelo. Tudo por uma massagem. Alguém que me faça rir. Eu queria tocar clarinete, piano e bateria, além da guitarra. Eu queria uma Gibson Les Paul. É bom ver o dia passar. A paz me é tão essencial quanto a adrenalina. Adoro minhas almofadas com motivos orientais, que fazem da minha cama um verdadeiro reduto de absoluta tranqüilidade. “Dormir, talvez sonhar”. Minhas necessidades não se encaixam com o modelo de sociedade em que vivo. Odeio quando as outras pessoas tentam me fazer sentir culpada pela minha diversão. Um parceiro em todos os sentidos. Todos os sentidos devem ser satisfeitos. Foi um colega quem teve a grande sacação: a vida pra mim é um hobby. Eu adoraria ter uma guitarra Gretsch White Falcon. Eu adoraria ter uma guitarra semi acústica. Eu já disse que às vezes sou muita impulsiva? Eu acho que o amor do jeito que eu queria só existe mesmo na poesia. “Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita” (Drummond).
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