Tuesday, March 27, 2007
Carta Náutica - 5
Frank Sinatra. Lembranças inesquecíveis. Os filmes do Eduardo Coutinho. Rolling Stones. Vinícius de Moraes. Abraços que são trocas de energia. Andar de moto. Mozart: Concerto para Piano e Orquestra Nº 21, 1º Movimento. Filmes de suspense com fantasmas e outras estranhezas. Jazz. Pavarotti. Céu cinzento de chuva. Balzac. Pessoas que são desafios, mas superáveis. Fumar devagar e exalar fumaça densa. Imaginação. Noite. Xadrez. Buraco. Deitar no chão pra ver um céu estrelado. Vinho tinto ou branco. Champanhe. Recentemente, uísque, se bem diluído. “Take Five”. Macarronada. Miles Davis. Quando irei embora? Paisagens grandiosas. Pavor da ignorância. Estórias pra contar. Ouvir “eu estou apaixonado por você”. Surpresas. Brisa. Conversas que desafiam o tempo. Sem mais força para dramas. Amigos que conto em uma mão. É tudo sem sentido. Tendência destrutiva. Detesto pessoas que somem. Detesto vampiros de energia. Abominável tolice humana. Raivas incontroláveis. Bicho-do-mato. Dependendo do costume, dar certo pode ser mais assustador. Que eu seja o desafio, pra variar. Gosto de pisar em terrenos conhecidos – e controláveis. Às vezes me duvido no equilíbrio. Máscaras e escudos. Odeio sentir calor. Não me cai ser a boazinha. A escuridão é vasta e instigante. Ficar só. Saudade de situações. Bons shows ao vivo. Dançar até não aguentar. Liberdade – assim mesmo, vaga e solta. Quem dera a auto-suficiência. Um trauma que supera outro. Fugir. Pequenos prazeres no salão de beleza: o arrepio ao cortar o cabelo, a massagem nas mãos ao fazer as unhas. Tenho que assistir de novo “O Fabuloso Destino de Amelié Poulain”. Trilha sonora que parece explicar algo. Meu carma está muito bem definido, mas o que diabos foi que eu fiz?? “Bicho do Mato”, da Fernanda Porto – boto logo no repeat. Narrar para eu mesma entender. Alguém que realmente entenda. Ansiedade. “Tony Bennett – All The Best”. O amor está me fazendo cuspir no prato que comi – ou será comer no prato que cuspi? Monogamia (in)voluntária. As mudanças se aproximam: quero ter filhos. Não há máquina fotográfica que acompanhe os bons momentos da história de nós dois. Acampar. Andar no mato, à noite, com lanterna, debaixo de chuva. Superar o que se pensava limites. A belíssima paisagem de Quixeramobim – Quixadá. Um cigarro no momento certo. Fim de tarde. Medo do futuro. Indescritível a sensação de ter encontrado o homem da minha vida – será? Quem era o babaca que ligava às 3:30 da manhã? Loucura eu respondo com loucura. Tentando me acostumar a viver em família. Eu nunca fui prum carnaval. Tocar piano um dia. Finalmente querer estar casada faz sentido. Se a monogamia é um defeito genético, nasci doente. Assistir filme abraçadinhos. Dormir abraçadinhos. Criar. Estudar música. Não sei cozinhar, mas vou tentar aprender ao menos o básico. A sinceridade pode ser um peso. Quem dera poder refazer. Correr atrás de arco-íris na chuva. Rede num alpendre num dia de chuva. 26 anos: começou a contagem regressiva. O mundo não pode ser só isso que vemos. O mundo não é só isso que vemos. Esforço: fazer da minha vida algo extraordinário. Ele de terno. Relembrar o início. Saudade dos amigos perdidos porque erraram, dos amigos perdidos porque morreram. Veruzza e Andrea. Viver a dois, mais do que conhecer o outro, me faz conhecer a mim mesma. Viver a dois. Não sou tão legal quanto eu pensava. Fazer filmes. Sou o grande amor de alguém – experiência inigualável. Nem sempre se quer o que é melhor. Paradoxos. Barulhinho bom: a bandeja do cd abrindo no computador. Possibilidade de escolhas. Pele macia. Certo espírito criminoso – contido. “The Venetian Gondola”. “A Sagração da Primavera”. Glauber Rocha. Construir juntos. Respeito. Lealdade. Massas. Conflito: não gosto mas não consigo mudar. “But more, much more than this, I did it my way”.
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