Wednesday, July 13, 2005

Fortuna Imperatrix Mundi


Dias movimentadíssimos. É tanta coisa boa acontecendo que dá é medo, e meu tempo disponível para escrever mal acompanha. Por isso falo das novidades já sem o fogo da vibração inicial e com a linguagem contida, mas que isso não se confunda com ingratidão ou indiferença. Estou com a paz dos abençoados, com a calma dos cautelosos, com o autocontrole dos desconfiados, com a serenidade dos racionais, com a paciência dos experientes, com o desapego dos pessimistas, com a discrição dos vigiados. Sim: mal me reconheço.

E certas alegrias me fazem agir como nas maiores tristezas: não consigo escrever sobre. Guardo então para mim as melhores lembranças. Talvez eu até escreva, porque minha memória é traiçoeira e certos momentos não devem ser jamais esquecidos. Mas não publicarei aqui. Certo tipo de felicidade, quando expressa, parece que se dilui.


“Escrever nem uma coisa nem outra –
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar –
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes”. (Manoel de Barros)


- “Diz que não sabe
É tempo de saber
Tente sentir o que você tem medo

- Quero dizer que não perdi meu tempo
Sinto por não poder me ver em ti”

- “Pois o amor é assim: morada alheia.
A gente entra quando pode
E sai quando precisa”.

“Aquilo que atribuis ao tempo
É por definição distância.
De forma que não poderias
Defender teu mundo no vazio do objeto”.

- “Primeiro tive que afastar meus pés de toda lama
e arriscar um salto de aparente suicídio
mas que depois de tudo me revelaria
uma noção de peso do meu próprio mundo

Onde sequer sementes que nem brotariam
qualquer demasia, qualquer densidade
qualquer tentativa de sobrevivência
que justificasse a escolha do impossível

Quando não resta espaço pra falar do tempo
e conseqüentemente ausenta-se a palavra
em troca de um suposto alívio oferecido
arrisco a trajetória às vésperas do salto

O que oportunamente se reverterá
nas múltiplas passagens solidificadas
da infinita espera pelo inexplorado
até que se apresente um corpo ao meu destino”.

“É preciso estar bonito,
Sóbrio, reluzente
Encarcerar a dor
Fingir que está contente”

“E o que foi calado habita o que não foi desfeito”.


* Todas as citações são trechos de letras ou poesias do cd “Algo Sobre a Distância e o Tempo”, de Isaac Cândido e Marcus Dias.

3 comments:

Anonymous said...

Ah se fossem pra mim essas palavras. Ai eu causando esses contentamentos nessa mulher.

Anonymous said...

tu não se reconhece, é? pois a maior mudança que percebo é esse sorriso no rosto. bonita que só. beijo.

Anonymous said...

Tu eh das poucas q podem de verdade serem o sao.
Tu eh de carne, osso, sentimentos, pensamentos, verdades e mentiras.
Tu vai sorrir mais ainda... creia-me!
Besos!!!