Tuesday, August 02, 2005

Oi, tudo bom?, tchau

Não entender os outros é compreensível, mas não entender a mim mesma, acho inaceitável. Freud explica, mas ele não está aqui pra eu perguntar, então tenho que me virar pra descobrir. E abestada como só eu consigo ser, às vezes não noto os sinais que vou deixando. Eu mesma falo, e não me escuto. Eu mesma escrevo, e não me leio. Aí fico tentando encontrar uma maneira nova de dizer o que eu sabia antes de todo mundo, mas pareço ser a última a descobrir. E creio ter descoberto finalmente. A raiva, a irritação, é a revolta que sentimos quando algo nos escapa das mãos. É o incômodo por não ter sido competente o suficiente. É o ego ferido. É o ter que desapegar-se de algo que pensou-se destino. É a dor latejante que a fuga do futuro pensado provoca a cada minuto que se distancia. É a decepção de ver somente o outro onde se queria ver também a si mesmo. É sentir que todo o melhor que se tinha para oferecer foi recusado.

Ah, é isso? Ah, bom... Então tá.

“Somente assim, quando os mistérios se tornam reais, é que a gente descobre que um segredo encobre as coisas mais banais”. (Trecho de “Segredo”, música de Marcílio Homem e Marcus Dias).





Em uma dessas noites deliciosas, meio mágicas, o acaso (?) resumiu talvez melhor do que eu. Repito a explicação do Danilo: “Biza, Victor, Camile, eu, Alinne e Anderson parimos o que se segue, nessa ordem, sem saber o que vinha antes. Surpresa, surpresa!”

“A sós estamos
Das horas sintomáticas
Retiro a dor aprisionada
Com lágrimas secas, sem remorso
A partida foi necessária
Mas o jogo não acabou
Nem nunca irá acabar
Por conta do sempre que não deixa
Eu me atenho ao efêmero volátil
E a mim atrai o que vem e vai
Apesar de sempre preferir o que fica
E de nunca esquecer o que passou
Pois o que passou é um grande aprendizado
E disso só as paredes são cúmplices
Só elas tremem ao som do grito que me desgraça, todo ele arrancado pela ausência
Livra minh'alma e me eterniza
Que seja agora pois cada segundo importa
Agora”


Agora que sei o peso da minha carga
Endireito as costas, expulso a poeira,
E afirmo:
- Nada.


“Vamos começar colocando um ponto final.

É tudo novo de novo.

Vamos celebrar nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou.

E vamos terminar inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou...

É tudo novo de novo”.

(Paulinho Moska)


Agora que aceitei o luto,
Enterro, ponho flores, evito fotos.

O novo sempre vem.


“Olho, e não posso.
Tento conter, e erro a mira.
Lembro, e é só o que posso.
Não é sempre assim
E por isso me estranho
Afinal, é só um estranho.
Ainda não achei certezas
Não reencontrei suspeitas.
Eu sou, e já passou”.
(30/08/05)


Pensei e repensei. Conclui: fiz o que pude. Adeus.

3 comments:

Anonymous said...

engraçado, ler o que vc escreveu no meu blog há pouco atrás "aff, eu lhe entendo..." e em seguida ver o seu desabafo se "estapeando" por não entender a si mesma. mas esse cd que vc vem escutando, deve esta cortando a alma. vc faria uma cópia dele p mim? (somos vizinhas...)

Anonymous said...

Depois do amor, quem se reconhece? Depois que o amor acontece resta-nos a dor, porque sempre nos perdemos.
Paciência...o tempo passa rápido e tudo muda.

me said...

ahahahaaha pois é, fernandinha, às vezes parece mais fácil entender aos outros do q a si mesma. ver d fora parece ser fundamental. o de dentro a gente recalca, pra citar freud d novo, rsrsrs.

esse cd é a coisa maaaais linda do mundo, merece ser ouvido sim (não digo o nome aqui em público pra num entregrar o ouro... rsrssr). corta minha alma sim, mas em um excelente sentido. estarei em breve fazendo uma cópia pra mim, e já faço uma pra vc tb, com prazer. E talvez não tenha ficado claro, mas esse post anterior, falando do cd, é na verdade uma enorme comemoração. A causa de tamanha felicidade ainda está por perto. a despedida do último post se refere a outra coisa.

E insisto:

“É tudo novo de novo.

Vamos celebrar nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou...”

"O novo sempre vem".

:)

Bjão!!