Wednesday, April 19, 2006

Resposta a “Fragmentos” de Mirella Adriano

Mais achados no computador, esse aqui tem mais de ano.



Resposta a “Fragmentos” de Mirella Adriano


"É muita coincidência ou foi a senhora que ganhou espaço hoje no Vida & Arte? Começamos bem o dia. Fragmentos que me ocuparam um espaço danado. Sou nem doida de querer por inteiro, cabe não. E segundo Kant, a coisa em si é inapreensível, mas segundo um doidim amigo meu, a gente vai morrer tentando pegar na coisa mesmo assim. 3 que marcaram, quase uma dor: a do tempo, a da partida, a do adorar. Somos quase sempre esse misto de lembrança e espera. Onde está o presente que ganhei? Mas se a vida é de fato cíclica, então passa logo tempo, passa tempo, passatempo, que de novo tudo volta novo. Eita, que eu sou toda nostalgia. Fiz piercings dos alfinetes. E nem lembro se nessas horas eu (me) sinto o céu. Será que já foi aprovada a lei do eterno retorno? Não é estranho que dentro de adorar tenha dor? Ora bolas. É o verbo que significa causar dor. Por isso que troquei 100 anos de solidão por 100 dias entre céu e mar. Quisera eu viver mais de coincidências e reciprocidades. E você acha que inverte o tempo? Pois vixe, eu tento reconstruir o tempo todo".

15.03.05

Tuesday, April 11, 2006

"Olha eu aqui outra vez!"

Valamideus, há quanto tempo. Pensei que nem ia lembrar da senha pra entrar. Sem maiores explicações porque o tempo é curto e a vida louca, digo somente que fuçando meus alfarrábios no computador achei um texto que vai começar a botar as fofocas em dia. Sem data, mas pelo contexto, fevereiro ou março. Quem costumava dizer "Olha eu aqui outra vez!"?



"Você já leu Balzac? É impressionante sua capacidade descritiva. Não tão entediante quanto Virginia Woolf (apesar d´eu gostar dela também, mas reconheço que exige de mim um certo estado de espírito apropriado), mas igualmente estimulante para a imaginação. Estimulante meeesmo para a minha imaginação, tanto no sentido de imaginar aquilo que está escrito, como também qualquer coisa que eu esteja pensando, tudo parece vir à tona mais facilmente ao ler Balzac. Todo e qualquer desejo, por menos formulado que esteja, parece cristalizar-se, tomar forma, ao menor contato com uma página que seja.

(...)

... ... ...

Assisti “Balzac e a Costureirinha Chinesa”. Queira libertar as pessoas, e elas se libertarão. Ou seria uma falsa liberdade? Ela permaneceu ignorante, achando que podia enfrentar o mundo porque ouviu uma estória?


... ... ...

Que delícia, que satisfação indescritível. Hoje acordei com o quarto cinza. Chuvia, com direito a pequenas e longínquas trovoadas, um breve relâmpago. Que delícia, que satisfação indescritível. Tive que acender a luz do quarto em plena manhã. Que delícia, que satisfação indescritível. Que nostalgia. Que. Que. Que. Que meio medo, meio bom. Que solidão, que vontade de estar perto de, e que prazer em estar só. Que cores lindas as cinzas. Não combinam com o céu. Talvez por ser manhã. Mas é lindo. É o céu vestindo seu traje de gala. Prata, strass. E uma quietude infinita, uma vastidão sem tamanho, um convite. Nostalgia. Eu lembrando sobre minha antiga vontade de voar, tentando entender porque a vontade passou, e um pássaro me esnoba cortando minha tela. Não há arte humana que contenha ou reproduza tanto. Que falta do que dizer. Que silêncio em mim. Que surdez.


... ... ...

Fazia tempo. Pouco tempo, pouca disposição. E hoje, não sei por quê. Absolutamente nenhum motivo específico.

Dezembro foi um mês louco. Três semanas fora. Sertão Central do Ceará, a trabalho. Quixeramobim, Quixadá e vários outros das redondezas. Um diferente por dia. Momentos incríveis, únicos. Momentos de paz absoluta, adrenalina, medo, paixão, raiva, diversão, ciúme. Paisagens exóticas, um bom livro no ar-condicionado, o carro saiu da estrada às 22:30h em uma estrada carroçal onde não pegava celular, entrei e subi na cabeça do santo, dirigi sozinha a 170km/h com ar-condicionado e esgoelando o Alceu Valença que estava altíssimo (realização de um sonho), vi e ouvi uma cítara pessoalmente, dançamos até quase de manhã, banho de piscina, velas e vinho, dezenas de machucados.

O Natal nem me lembro, o reveillon foi estranho. Janeiro, um suspiro.

Fevereiro, esse quebra-cabeça.



Que ironia. É cabível:


“Quebra-cabeça”

Como a chuva rala que cai sobre o asfalto
Pus as letras sobre o papel.
Juntei como a um quebra-cabeça
Vi a mim.

Achei a imagem curiosa
E corajosa que sou
Mostrei à minha família.
Não é a gozação que começa em casa?

Mas só para contradizer
Fui levada a sério.
Sou agora membro da academia caseira dos que sabem
Alguma coisa a respeito de si mesmo".