Valamideus, há quanto tempo. Pensei que nem ia lembrar da senha pra entrar. Sem maiores explicações porque o tempo é curto e a vida louca, digo somente que fuçando meus alfarrábios no computador achei um texto que vai começar a botar as fofocas em dia. Sem data, mas pelo contexto, fevereiro ou março. Quem costumava dizer "Olha eu aqui outra vez!"?
"Você já leu Balzac? É impressionante sua capacidade descritiva. Não tão entediante quanto Virginia Woolf (apesar d´eu gostar dela também, mas reconheço que exige de mim um certo estado de espírito apropriado), mas igualmente estimulante para a imaginação. Estimulante meeesmo para a minha imaginação, tanto no sentido de imaginar aquilo que está escrito, como também qualquer coisa que eu esteja pensando, tudo parece vir à tona mais facilmente ao ler Balzac. Todo e qualquer desejo, por menos formulado que esteja, parece cristalizar-se, tomar forma, ao menor contato com uma página que seja.
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Assisti “Balzac e a Costureirinha Chinesa”. Queira libertar as pessoas, e elas se libertarão. Ou seria uma falsa liberdade? Ela permaneceu ignorante, achando que podia enfrentar o mundo porque ouviu uma estória?
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Que delícia, que satisfação indescritível. Hoje acordei com o quarto cinza. Chuvia, com direito a pequenas e longínquas trovoadas, um breve relâmpago. Que delícia, que satisfação indescritível. Tive que acender a luz do quarto em plena manhã. Que delícia, que satisfação indescritível. Que nostalgia. Que. Que. Que. Que meio medo, meio bom. Que solidão, que vontade de estar perto de, e que prazer em estar só. Que cores lindas as cinzas. Não combinam com o céu. Talvez por ser manhã. Mas é lindo. É o céu vestindo seu traje de gala. Prata, strass. E uma quietude infinita, uma vastidão sem tamanho, um convite. Nostalgia. Eu lembrando sobre minha antiga vontade de voar, tentando entender porque a vontade passou, e um pássaro me esnoba cortando minha tela. Não há arte humana que contenha ou reproduza tanto. Que falta do que dizer. Que silêncio em mim. Que surdez.
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Fazia tempo. Pouco tempo, pouca disposição. E hoje, não sei por quê. Absolutamente nenhum motivo específico.
Dezembro foi um mês louco. Três semanas fora. Sertão Central do Ceará, a trabalho. Quixeramobim, Quixadá e vários outros das redondezas. Um diferente por dia. Momentos incríveis, únicos. Momentos de paz absoluta, adrenalina, medo, paixão, raiva, diversão, ciúme. Paisagens exóticas, um bom livro no ar-condicionado, o carro saiu da estrada às 22:30h em uma estrada carroçal onde não pegava celular, entrei e subi na cabeça do santo, dirigi sozinha a 170km/h com ar-condicionado e esgoelando o Alceu Valença que estava altíssimo (realização de um sonho), vi e ouvi uma cítara pessoalmente, dançamos até quase de manhã, banho de piscina, velas e vinho, dezenas de machucados.
O Natal nem me lembro, o reveillon foi estranho. Janeiro, um suspiro.
Fevereiro, esse quebra-cabeça.
Que ironia. É cabível:
“Quebra-cabeça”
Como a chuva rala que cai sobre o asfalto
Pus as letras sobre o papel.
Juntei como a um quebra-cabeça
Vi a mim.
Achei a imagem curiosa
E corajosa que sou
Mostrei à minha família.
Não é a gozação que começa em casa?
Mas só para contradizer
Fui levada a sério.
Sou agora membro da academia caseira dos que sabem
Alguma coisa a respeito de si mesmo".
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