"Que me venha esse homem"
na voz de Amelinha, na minha cabeça
Que me venha esse homem
Depois de alguma chuva
Que me prenda de tarde
Em sua teia de veludo
Que me fira com os olhos
E me penetre em tudo
Que me venha esse homem
De músculos exatos
Com um desejo agreste
Com um cheiro de mato
Que me prenda de noite
Em sua rede de braços
Que me venha com força
Com gosto de desbravar
Que me faça de mata
Pra percorrer devagar
Que me faça de rio
Pra se deixar naufragar
Que me salve esse homem
Com sua febre de fogo
Que me prenda no espaço
De seu passo mais louco
Que me venha esse homem
Que me arranque do sono
Que me venha esse homem
Que me machuque um pouco
Tuesday, May 24, 2011
Wednesday, May 18, 2011
Esperando
Sssssss
Esssssssssss
Esssssssssssssssssspe
Esssssssssssssssssssssssspeeee
Esssssssssssssssssssssssssssssssssperan
Esssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssperan ran ran
Esssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssperando
dor
você.
Esssssssssss
Esssssssssssssssssspe
Esssssssssssssssssssssssspeeee
Esssssssssssssssssssssssssssssssssperan
Esssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssperan ran ran
Esssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssperando
dor
você.
Sim
Mais elocubrações de tempos passados:
“Sim”
E assim caí em mim.
Um poço profundo
inerte e imundo
Ávido pelo fim.
Fim do mundo,
fim do poço,
corda no pescoço
ou coisa assim.
Coisa que o valha,
coisa que o traga,
coisa que eu saiba
porque que eu vim.
Se não valeu de nada,
se no fim fui tragada,
pelo menos agora sei
o que deu dizer sim.
30/09/2010
“Sim”
E assim caí em mim.
Um poço profundo
inerte e imundo
Ávido pelo fim.
Fim do mundo,
fim do poço,
corda no pescoço
ou coisa assim.
Coisa que o valha,
coisa que o traga,
coisa que eu saiba
porque que eu vim.
Se não valeu de nada,
se no fim fui tragada,
pelo menos agora sei
o que deu dizer sim.
30/09/2010
Inevitável
Eu te procuro onde não te acho
Evito assim ter que saber e se.
Eu fujo quando te acho
Evito assim ter que saber e foi.
Evito assim ter que saber e se.
Eu fujo quando te acho
Evito assim ter que saber e foi.
Voltei
Hoje, não sei porquê, me deu uma vontade de mim. Então, voltei.
Um texto que fiz ano passado resume uma parte dos tempos de ausência:
“Por onde começar?
Falo de quando nasci e bla blá blá? De quando meu pai morreu? De quando me casei? De quando me separei? De quando tive filho?
Ou de quando me cansei e gritei (internamente) que tudo fosse pra PQP?
Sim, melhor começar daí.
Um dia, me cansei e gritei (internamente) que tudo fosse pra PQP. Era um dia normal, quente, e o gelágua quebrado há uns 2 anos. Com 146 problemas na cabeça, fiquei muda quando minha irmã ordenou: “Conserte o gelágua! Camile, o que pode ser mais importante que água?!”. Hunf. Item 147 anotado.
Eu nunca fui a mais bem-humorada das criaturas. Tive meus altos e baixos, intercalado por vários baixos. Mas ia ali, arrodeando, desvia daqui, tinha uma pedra no meio do caminho, tropeça aqui, cai acolá, mas depressa levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima e começa a cantar. Mas chega uma hora que se você vê uma maldita pedra, tenta desviar e mesmo assim dá aquela topada que a dor vai na alma, aí você levanta e com a vista embaçada pela poeira que você sacudiu você acaba batendo a cara contra o muro e com o sangue escorrendo do supercílio você não vê o riacho e dá com os burros n´água, bem, aí é hora de rever a situação. Era assim que eu me sentia depois de quase três anos de pedras, muros, riachos e toda e qualquer sorte de mazela. Cite um problema da classe média, eu devo ter tido. Doença? Sim. Morte na família? Sim. Dinheiro? Sim. Gravidez não planejada? Sim. Problemas no trabalho? Sim. Fim de amizades? Vacilo no financiamento? Briga em família? Mudança de endereço? Sem telefone? Sem internet? Problema com o ex? Prender o dedo na porta? Não conseguir um táxi? Privada entupida? Cupim? Sim. Sim. Sim.
E por aí asSIM vai.
Quanto mais sim eu respondo aqui, mais o não me batia na cara na vida”.
Hora de repaginar total. E assim o fiz. Oh, sim.
Um texto que fiz ano passado resume uma parte dos tempos de ausência:
“Por onde começar?
Falo de quando nasci e bla blá blá? De quando meu pai morreu? De quando me casei? De quando me separei? De quando tive filho?
Ou de quando me cansei e gritei (internamente) que tudo fosse pra PQP?
Sim, melhor começar daí.
Um dia, me cansei e gritei (internamente) que tudo fosse pra PQP. Era um dia normal, quente, e o gelágua quebrado há uns 2 anos. Com 146 problemas na cabeça, fiquei muda quando minha irmã ordenou: “Conserte o gelágua! Camile, o que pode ser mais importante que água?!”. Hunf. Item 147 anotado.
Eu nunca fui a mais bem-humorada das criaturas. Tive meus altos e baixos, intercalado por vários baixos. Mas ia ali, arrodeando, desvia daqui, tinha uma pedra no meio do caminho, tropeça aqui, cai acolá, mas depressa levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima e começa a cantar. Mas chega uma hora que se você vê uma maldita pedra, tenta desviar e mesmo assim dá aquela topada que a dor vai na alma, aí você levanta e com a vista embaçada pela poeira que você sacudiu você acaba batendo a cara contra o muro e com o sangue escorrendo do supercílio você não vê o riacho e dá com os burros n´água, bem, aí é hora de rever a situação. Era assim que eu me sentia depois de quase três anos de pedras, muros, riachos e toda e qualquer sorte de mazela. Cite um problema da classe média, eu devo ter tido. Doença? Sim. Morte na família? Sim. Dinheiro? Sim. Gravidez não planejada? Sim. Problemas no trabalho? Sim. Fim de amizades? Vacilo no financiamento? Briga em família? Mudança de endereço? Sem telefone? Sem internet? Problema com o ex? Prender o dedo na porta? Não conseguir um táxi? Privada entupida? Cupim? Sim. Sim. Sim.
E por aí asSIM vai.
Quanto mais sim eu respondo aqui, mais o não me batia na cara na vida”.
Hora de repaginar total. E assim o fiz. Oh, sim.
Noite de Lua Cheia
Lua Adversa - Cecília Meireles
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha".
Em plena lua cheia, eu de saco cheio crescente, cada vez mais minguante, querendo ser toda nova.
Noite de Lua Cheia
Já abriu a porta e eu diferente
Ele podia ser mais isso, menos aquilo.
Queria entrar ali de novo agora não
Espaço pequeno para tanto constrangimento.
Me larguei em seus abraços na rede
E nessa hora eu até acredito.
E foi beijo aqui, ali, beijo bom segundo a prática.
Mas podia ser mais isso, menos aquilo.
A tradição diz para querer mais
E o piloto automático, a inércia, o hábito
São respectivamente respeitados.
No quarto, o inusual vira normal
Podia ser mais isso, menos aquilo.
É um gostar que vai sumindo
Enquanto a lua vai subindo.
17/05/2011
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha".
Em plena lua cheia, eu de saco cheio crescente, cada vez mais minguante, querendo ser toda nova.
Noite de Lua Cheia
Já abriu a porta e eu diferente
Ele podia ser mais isso, menos aquilo.
Queria entrar ali de novo agora não
Espaço pequeno para tanto constrangimento.
Me larguei em seus abraços na rede
E nessa hora eu até acredito.
E foi beijo aqui, ali, beijo bom segundo a prática.
Mas podia ser mais isso, menos aquilo.
A tradição diz para querer mais
E o piloto automático, a inércia, o hábito
São respectivamente respeitados.
No quarto, o inusual vira normal
Podia ser mais isso, menos aquilo.
É um gostar que vai sumindo
Enquanto a lua vai subindo.
17/05/2011
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