Thursday, February 16, 2012

Parte

Eu também só quero uma parte.
Mas quero a parte que não me cabe,
que me transborda, me atravessa, que me penetra.

Quero mais,
quero a soma das partes,
muito mais que o todo.

Quero partes desiguais,
com anseios iguais,
estranhezas à parte.

Quero tomar parte em sua vida
Ser parte dele, parte minha
Em toda parte.

Quero a parte noutra parte
Simbiose de quase tudo, em parte.

À parte disso,
quero deixá-lo, e assim,
levá-lo.

Porque só parte de mim aceita
E na maior parte das vezes, tenho certeza.

Quero o ele que não parte nunca,
e que nunca parte meu coração.


29/11/2010

Mais um carnaval

Mais um carnaval. Não me misturo à massa pu(lu)lante. Procuro momentos de quietude e prazer. Amigos, boa música, comidinhas, um filminho, um livro, meu violão, minha cama, as ondas. As horas passam e nem dou conta.

“Tudo o que me dá sossego é assim”.

E ainda assim, além das coisas que deveras faço, tem ainda aquilo que escolho ser diferente. Me perco a imaginar o que seria mais um outro grande momento.

“Se a vida fosse o meu desejo, dar um beijo em teu sorriso, sem cansaço”.

Busquei tanto isso, e quanto mais eu queria, mais de mim fugia. E agora que está bem longe, ao invés de ausente, o sentimento está gritante. Quero pedir, mas não posso prometer.

“Não demores, por favor, nem pense no que vai acontecer”.

Mas agora tudo é incerto, e tudo parece possível.

“Não há um porto seguro, futuro também não há”.

Me resigno e sigo adiante, tentando me convencer que sei o caminho.

“Eu vou te procurar na luz de cada olhar mais diferente”.

Percebo a incongruência de meu gestos. Tentava eu ver por aí aquilo que só está dentro aqui.

“Alguém sentando à beira do caminho jamais entenderá o que é que eu sinto agora. Sou levado pelo movimento que tua falta faz”.


Nada resolve. Nada substitui. Nada conforta.

“Ansiedade de ter-te em meus braços murmurando palavras de amor. Ansiedade de ter os teus encantos e tua boca voltar a beijar”.

Então, vou só imaginar, estirada na plenitude, com um sorriso a me acalmar.

“Será o que seria, miragem, poesia, tua imagem me acompanha”.

Quem dera fosse real. Quem dera não fosse só mais um carnaval.


Março/2011.
Inspirado em artigo de Mauro Oliveira.

Flores

Flores no meio de uma tarde cinzenta de quinta-feira
Os segundos de ansiedade me deram dor de cabeça
Imaginei quantas flores eu teria em meu túmulo

Uma tarde cinzenta no meio das flores de quinta-feira
As horas de angústia se cobriam de obrigações
Enterrei em seu túmulo minha imaginação

Uma quinta-feira no meio de flores cinzentas
Os dias intermináveis voavam em dores
Eu enterrada imaginando flores