Mais um carnaval. Não me misturo à massa pu(lu)lante. Procuro momentos de quietude e prazer. Amigos, boa música, comidinhas, um filminho, um livro, meu violão, minha cama, as ondas. As horas passam e nem dou conta.
“Tudo o que me dá sossego é assim”.
E ainda assim, além das coisas que deveras faço, tem ainda aquilo que escolho ser diferente. Me perco a imaginar o que seria mais um outro grande momento.
“Se a vida fosse o meu desejo, dar um beijo em teu sorriso, sem cansaço”.
Busquei tanto isso, e quanto mais eu queria, mais de mim fugia. E agora que está bem longe, ao invés de ausente, o sentimento está gritante. Quero pedir, mas não posso prometer.
“Não demores, por favor, nem pense no que vai acontecer”.
Mas agora tudo é incerto, e tudo parece possível.
“Não há um porto seguro, futuro também não há”.
Me resigno e sigo adiante, tentando me convencer que sei o caminho.
“Eu vou te procurar na luz de cada olhar mais diferente”.
Percebo a incongruência de meu gestos. Tentava eu ver por aí aquilo que só está dentro aqui.
“Alguém sentando à beira do caminho jamais entenderá o que é que eu sinto agora. Sou levado pelo movimento que tua falta faz”.
Nada resolve. Nada substitui. Nada conforta.
“Ansiedade de ter-te em meus braços murmurando palavras de amor. Ansiedade de ter os teus encantos e tua boca voltar a beijar”.
Então, vou só imaginar, estirada na plenitude, com um sorriso a me acalmar.
“Será o que seria, miragem, poesia, tua imagem me acompanha”.
Quem dera fosse real. Quem dera não fosse só mais um carnaval.
Março/2011.
Inspirado em artigo de Mauro Oliveira.
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