Thursday, December 08, 2005
Carta Náutica - 4
Se você gostou de “Diários de Motocicleta”, não deixe de ler um dos livros no qual ele foi baseado: “De Moto Pela América do Sul – Diário de Viagem” - maravilhoso. Acho tão primitivo que guerras ainda aconteçam, é totalmente ridículo de tão irracional. Para onde vamos sem respeitar a vida humana? É muito revoltante alguém se sentir no direito de maltratar ou tirar a vida de outra pessoa. Já dizia meu sábio pai: “eu devo ter caído no planeta errado”. Meu pai é um grande homem. Todos os livros do Amyr Klink. “O Morro dos Ventos Uivantes”. “Jane Eyre”. O auge da coragem: atrás do computador ou deitada pensando no que fazer. Eu me apego fácil. Eu já usei o cabelo bem curtinho, como de homem. O dia da minha festa de formatura foi um dos mais felizes da minha vida, não pela formatura em si, mas pela festa astral que foi. Eu queria falar várias línguas. O Danilo e a Priscilla falam a minha língua, e isso é raro. E o Victor lê meus pensamentos. Não tem coisa pior em um possível relacionamento do que perceber que as mesmas palavras têm sentidos diferentes para cada um, e os erros frustrantes de comunicação que isso gera. Aprendi que tomar banho sentada no chão do box pode ser extremamente agradável. Velas e incensos. Pat Metheny. Pedro Aznar. Meus vícios na adolescência: Legião Urbana e The Doors. Ainda guardo a fita cassete que as outras Devótchkas gravaram pra mim com Portishead. Eu toquei em uma banda chamada Devótchkas. Saudade da ausência somente geográfica e cotidiana da Veruzza. A intimidade é uma das mais doces conquistas. Eu tenho uma boina preta que eu adoro. Coração de manteiga: chorei no “A Era do Gelo”, no “História sem Fim”, no “Filadélfia” (7 vezes!!!) e fiquei vendo só água no “À Espera de um Milagre”. Devorei “O Mahabharata”, na versão de Jean-Claude Carrière. Eu pensei que ler Sartre fosse (re?)despertar meu lado suicida, mas que nada, foi justamente ao contrário – eu sou demais!!! É bom demais estar viva. Adoro demonstrações explícitas de carinho. Eu gosto de abraços, flores e cheirinhos. Eu uso o mouse com qualquer uma das mãos. Odeio quando sinto uma coisa e não entendo o porquê. Milton Nascimento. Às vezes eu uso dois pesos, duas medidas, dois relógios. Odeio ser chamada a atenção. Fazer Tai Chi é mergulhar no seco. Eu tenho certa facilidade de decidir e não olhar pra trás. Penso sempre na morte, em como só vivemos uma vez, em como essa única vez passa rápido e ainda pode acabar a qualquer momento, em como a velhice me será terrível, e aí, sabendo que eu penso isso, observe: tudo que você acha sem sentido em mim, é mais que lógico, é obrigatório. À primeira vista, sou contradições; olhando de perto, sou obviedades. Faço do banho quase um ritual de purificação e renovação. Já levei uma queda antológica. Ansiosa pela disciplina de laboratório de Teatro na pós. Às vezes acho que me daria bem no palco. Síndrome da fama frustrada. Eu me divirto ao divertir. Ponto fraco: alisar meu cabelo. Tudo por uma massagem. Alguém que me faça rir. Eu queria tocar clarinete, piano e bateria, além da guitarra. Eu queria uma Gibson Les Paul. É bom ver o dia passar. A paz me é tão essencial quanto a adrenalina. Adoro minhas almofadas com motivos orientais, que fazem da minha cama um verdadeiro reduto de absoluta tranqüilidade. “Dormir, talvez sonhar”. Minhas necessidades não se encaixam com o modelo de sociedade em que vivo. Odeio quando as outras pessoas tentam me fazer sentir culpada pela minha diversão. Um parceiro em todos os sentidos. Todos os sentidos devem ser satisfeitos. Foi um colega quem teve a grande sacação: a vida pra mim é um hobby. Eu adoraria ter uma guitarra Gretsch White Falcon. Eu adoraria ter uma guitarra semi acústica. Eu já disse que às vezes sou muita impulsiva? Eu acho que o amor do jeito que eu queria só existe mesmo na poesia. “Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita” (Drummond).
Saturday, November 19, 2005
Mantra
O que você tem feito? O que você tá fazendo agora? O que tu vai fazer mais tarde? No que você tá pensando? O que você quer fazer hoje? O que você vai fazer amanhã? O que mais você gostaria de realizar? O que a inflamação no seu olho mais atrapalhou? Do que você tem medo? Qual a causa do seu nervosismo? O que você tá planejando? O que mais pode dar errado? O que você tá lendo atualmente? O que mais consome o teu tempo? O que você ficou fazendo que não foi pro Arlindo? O que você ficou fazendo que não saiu pra canto nenhum nesse final de semana? Qual é o único assunto que aparece na comunidade da turma 07? O que te leva a não esquecer do Elvis? Qual tem sido o seu pensamento mais recorrente nos últimos dias? Qual é o assunto que sempre aparece em qualquer conversa que você trave, seja com quem, quando e onde for? Qual é o seu primeiro pensamento quando acorda? Qual é a última coisa que você pensa antes de dormir? Qual tem sido o tema dos seus sonhos? Qual deve ser a segunda coisa pior de fazer (perdendo somente para a monografia)? Qual é a causa de todas as dores (de cabeça, no olho, nas costas etc) que você está sentindo agora?
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
O projeto da monografia.
Saturday, November 12, 2005
Mosaico
Acho que ajudei alguém. Quisera eu ouvir meus próprios conselhos. Em casa de ferreiro...
...
Adorei: minha irmã tem agora um bonsai que ela chamou de Seu Miyagi.
...
Será que eu sou mais um membro do Cat People?
...
“Eu não amo ninguém, parece incrível. Não amo ninguém e só amor que eu respiro...”
(Cazuza)
...
TPM: Tensão Pré-Monografia.
Elvis recomenda nova tradução: Tesão Pela Monografia.
...
Ontem falávamos na aula sobre como as famílias costumavam sentar para conversar à noite, na sala, depois passaram a se reunir na sala em função da televisão, para finalmente, hoje em dia, habitarem suas tocas, cada um com sua tv, computador, som, telefone.
Aí eu chego em casa e fico mais de uma hora conversando com meus pais e minha irmã mais velha, no escuro, na sala. E ainda me ajudam a decidir o tema da monografia! :)
...
Fragmentos de “O Haver” (Vinícius de Moraes):
"Resta...
Essa intimidade perfeita com o silêncio;
Esse antigo respeito pela noite;
Esse falar baixo;
Essa imobilidade;
Essa economia de gestos;
Essa inércia cada vez maior diante do infinito;
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível;
Esse sentimento da matéria em repouso;
Essa tristeza diante do cotidiano;
Essa vontade de chorar diante da beleza;
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido;
Essa tola capacidade de rir à toa;
Esse ridículo desejo de ser útil;
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é;
e esse heroísmo estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino".
...
Do cd para o violão:
"Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time"

How soon is now?
...
Adorei: minha irmã tem agora um bonsai que ela chamou de Seu Miyagi.
...
Será que eu sou mais um membro do Cat People?
...
“Eu não amo ninguém, parece incrível. Não amo ninguém e só amor que eu respiro...”
(Cazuza)
...
TPM: Tensão Pré-Monografia.
Elvis recomenda nova tradução: Tesão Pela Monografia.
...
Ontem falávamos na aula sobre como as famílias costumavam sentar para conversar à noite, na sala, depois passaram a se reunir na sala em função da televisão, para finalmente, hoje em dia, habitarem suas tocas, cada um com sua tv, computador, som, telefone.
Aí eu chego em casa e fico mais de uma hora conversando com meus pais e minha irmã mais velha, no escuro, na sala. E ainda me ajudam a decidir o tema da monografia! :)
...
Fragmentos de “O Haver” (Vinícius de Moraes):
"Resta...
Essa intimidade perfeita com o silêncio;
Esse antigo respeito pela noite;
Esse falar baixo;
Essa imobilidade;
Essa economia de gestos;
Essa inércia cada vez maior diante do infinito;
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível;
Esse sentimento da matéria em repouso;
Essa tristeza diante do cotidiano;
Essa vontade de chorar diante da beleza;
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido;
Essa tola capacidade de rir à toa;
Esse ridículo desejo de ser útil;
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é;
e esse heroísmo estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino".
...
Do cd para o violão:
"Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time"

How soon is now?
Wednesday, November 09, 2005
Seis de Espadas: Passagem

"Um barquinho está navegando em águas calmas, depois de conseguir afastar-se de mares turbulentos..."
Amigos, voltei. Esse barquinho andou cruzando tantas águas, algumas nunca navegadas por mim antes. Tive momentos sublimes, de alegre perfeição, e talvez por isso, as tormentas que vieram em seguida foram ainda mais destruidoras que o normal. Foram tantas as tormentas que fiquei exausta além da noção que eu tinha do que era cansaço. Maltratrei, me decepcionei, abandonei, cometi erros, afundei-me em energia negativa, fui mal-compreendida, fui abandonada, me abri além das minhas forças. Mas o vento voltou a soprar como se apenas me embalasse em meu berço flutuante e estou tentando arrumar tudo, botar a vida em dia e traçar novo percurso. Sei que tenho portos seguros onde me abastecer, e neles me confio. Ou não. Não importa: estou pronta para começar tudo de novo, sozinha, se for preciso.
"QUASE"
(Luiz Tatit)
Desde que
Que cheguei aqui
Tive que
Que me decidir
Vou ficando
Vou vivendo
Ou devo partir
Fui ficando
Fui vivendo
Fui partir
Era muito tarde
Quase que parto
Mas estava inseguro
Quase que embarco
Num sonho maduro
Quase me curo
Quase, eu juro
Quase dou um grande salto
Para o futuro
Fiquei no caminho
Faltou só um pouquinho
Nunca estive tão perto de ser feliz
Olha! Só não deu certo porque eu não quis
Vi a sorte a um palmo do nariz
Só depois
Com você aqui
Só nós dois
Foi aí que eu vi
Como muda
Como fica
Bem melhor assim
Fui sentindo
Fui gostando
Quando vi
Quase estava amando
Quase que sinto
Um desejo violento
Quase que vivo
O maior sentimento
Quase me atinge
Me pega por dentro
Quase que eu me apaixono
Nesse momento
Pra desencantar
Resolvi contar
Mas você
Você não ouviu
Eu cheguei
Já quase febril
Murmurando
Qualquer coisa
Só que não saiu
Foi por pouco
Muito pouco
Mais um pouco
E eu diria tudo
Tudo que estava
Na minha garganta
Tudo que eu tento
dizer
E não adianta
Quase que eu digo
Com toda a emoção
Quase ponho pra fora
Meu coração
Quase que me expresso
Já pensou que sucesso!
Quase fiz tudo certo pra ser feliz
Quase que eu fiz de tudo mas eu não fiz
Quase alcancei a glória foi por um triz
Quase!
"SANTO E DEMÔNIO"
(Fagner)
Sou a avenida cheia
De gente rápida e feia
Sou colorida inteira, concorrida e meia
Sou diariamente a dor que me passeia
A dor que me anseia ser
Particularmente rua
Sou um sol brilhante
De um dia incandescente
Sou luz calor calante
Bruxa de um chão doente
Sou diariamente a dor que me passeia
A dor que me anseia ser
Particularmente, lua
Sou toda gente em mim
Santo demônio em mim
Deus e o diabo em mim
Céu e inferno em mim
Sou diariamente a dor que me passeia
A dor que me anseia ser
Particularmente, tua.
"TOM THE MODEL"
(Beth Gibbons)
How can I forget your tender smile
Moments that I have shared with you
Our hearts may break
But they're on their way
And there's nothing I can do
Ohh...
So do what you're gotta do
And don't misunderstand me
You know you don't ever have to worry 'bout me
I'd do it again
I can understand that it can't be
Guess it's hard as you were meant for me
But I can't hide my own despair
I guess I never will
Ohh...
So do what you're gotta do
And don't misunderstand me
You know you don't ever have to worry 'bout me
I'd do it again
So tired of life
No fairytale
So hold your fire
'Cause I need you
Ohh...
Just do what you're gotta do
And don't misunderstand me
You know you don't ever have to worry 'bout me
I'd do it again
Do what you're gotta do
And don't misunderstand me
You keep going over every word that we've said
But you don't have to worry
About me
Saturday, October 22, 2005
Carlito e eu na internet
O site www.cinemacomrapadura.com.br esteve cobrindo o II Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul e a palestra do mestre Carlito Almeida, personagem de meu futuro documentário. Vejam só a matéria:
DIA 2 - 19/10
Mostra-Perfil (Elétrica em cinema)
Por Thiago Sampaio
"O II Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul teve a honra de trazer a “lenda-viva”, Carlito, para ministrar uma palestra na Mostra-Perfil, com o tema “Elétrica em cinema”, realizada nesta tarde de quarta. Para quem não conhece esse verdadeiro ícone do cinema nacional, Carlito é um eletricista que se aperfeiçoou na parte técnica, tendo trabalhado em mais de 200 filmes, dentre eles, nada menos que 93 longas-metragens, e não só produzidos no Brasil. Com uma carreira densa e extensa, Carlito trabalhou ao lado de cineastas renomados como Glauber Rocha, Rosemberg Cariry, Mazzaropi, até os mais novos, como Wolney Oliveira.
Durante a Mostra, a jovem cineasta Camile Queiroz gravava trechos de seu primeiro filme, um documentário sobre a impressionante biografia de Carlito. Antes do início da palestra de Carlito, foi apresentado um curta-metragem de 3 minutos, dirigido pela própria Camile Queiroz, servindo como uma espécie de “prévia” para o seu documentário, e fazendo os espectadores da Mostra ter uma breve noção do trabalho desempenhado por Carlito durante sua carreira.
Carlito começou a Mostra falando um pouco sobre sua vida, quando nasceu no interior do Ceará, e se mudou com 12-13 anos para São Paulo junto com seus pais. Começou a trabalhar como eletricista, e dentro da profissão, foi crescendo aos poucos, subindo de cargo em cargo, até começar a usar seus conhecimentos técnicos no cinema, onde gostou da experiência, e resolveu abraçar a área, de onde não saiu mais. Começou trabalhando como freelancer em algumas produtoras, entre elas, a extinta Vera Cruz, a qual, ao ser questionado sobre a decadência da mesma, explicou que deveu-se a sua total má administração, além da crescente expansão das produtoras internacionais.
Ao ser questionado sobre os filmes em que trabalhou que mais marcaram sua carreira, ele citou “O Pagador de Promessas”, que levou o cinema brasileiro para outro patamar, ganhando reconhecimento mundial, recebendo até o prêmio Palma de Ouro de Cannes e uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Outro filme citado por ele que marcou sua carreira, foi “Vereda da Salvação”, que teve distribuição bastante restrita.
Respondendo às perguntas diversas dos espectadores, ele comentou sobre a ascensão do cinema digital, afirmando que acredita que essa tecnologia irá dominar sim o mercado cinematográfico, substituindo a película, porém, esse processo será demorado. Carlito afirma que gosta muito do preto-e-branco, e filmar nesse estilo é mais trabalhoso do que em cores. Em meio a essa dominância do capital sobre o cinema, Carlito é questionado sobre o que é mais importante para fazer cinema: “dinheiro ou criatividade”. Ele não hesita, e responde: “Os dois. No mundo do cinema, um não vive sem o outro”.
Carlito comenta que a área cinema no Estado do Ceará cresceu muito nos últimos anos, e que hoje, é muito mais fácil de se ingressar no ramo do que em seu tempo. Nos dias atuais, existem muito mais cursos e oficinas de cinema que facilitam o acesso ao trabalho no Estado, do contrário de sua época, em que era preciso ter muitos contatos para se conseguir tal feito. Com o auditório cheio de jovens, ele dá um conselho para esta nova geração que almeja ingressar no ramo audiovisual: “Vá em frente que você vence. Não é fácil, de fato, mas basta ter força de vontade que você consegue atingir seu objetivo”.
Tendo trabalhado na parte técnica de muitos filmes nacionais e internacionais – além dos grandes cineastas citados no início, como Mazzaropi, ele trabalhou ele vários filmes dos Trapalhões, Robertos Carlos, dentre muitos outros - ao final de sua palestra, Carlito, demonstra extrema humildade a ponto até de chegar a pedir desculpas pelo seu jeito tão simples, já que segundo ele, sua área é trabalhar, e não falar. Quando é pedido para fazer uma reflexão em cima de sua própria carreira, ele – agora aposentado - diz estar realizado pelo trabalho que fez, feliz por todos os diretores com quem trabalhou, e diz que, em todos esses anos trabalhando com recursos tão distintos, não importam as condições de trabalho, e sim, o trabalho final".
A fonte original: http://www.cinemacomrapadura.com.br/mercosul/cobertura/dia2-2.html
DIA 2 - 19/10
Mostra-Perfil (Elétrica em cinema)
Por Thiago Sampaio
"O II Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul teve a honra de trazer a “lenda-viva”, Carlito, para ministrar uma palestra na Mostra-Perfil, com o tema “Elétrica em cinema”, realizada nesta tarde de quarta. Para quem não conhece esse verdadeiro ícone do cinema nacional, Carlito é um eletricista que se aperfeiçoou na parte técnica, tendo trabalhado em mais de 200 filmes, dentre eles, nada menos que 93 longas-metragens, e não só produzidos no Brasil. Com uma carreira densa e extensa, Carlito trabalhou ao lado de cineastas renomados como Glauber Rocha, Rosemberg Cariry, Mazzaropi, até os mais novos, como Wolney Oliveira.
Durante a Mostra, a jovem cineasta Camile Queiroz gravava trechos de seu primeiro filme, um documentário sobre a impressionante biografia de Carlito. Antes do início da palestra de Carlito, foi apresentado um curta-metragem de 3 minutos, dirigido pela própria Camile Queiroz, servindo como uma espécie de “prévia” para o seu documentário, e fazendo os espectadores da Mostra ter uma breve noção do trabalho desempenhado por Carlito durante sua carreira.
Carlito começou a Mostra falando um pouco sobre sua vida, quando nasceu no interior do Ceará, e se mudou com 12-13 anos para São Paulo junto com seus pais. Começou a trabalhar como eletricista, e dentro da profissão, foi crescendo aos poucos, subindo de cargo em cargo, até começar a usar seus conhecimentos técnicos no cinema, onde gostou da experiência, e resolveu abraçar a área, de onde não saiu mais. Começou trabalhando como freelancer em algumas produtoras, entre elas, a extinta Vera Cruz, a qual, ao ser questionado sobre a decadência da mesma, explicou que deveu-se a sua total má administração, além da crescente expansão das produtoras internacionais.
Ao ser questionado sobre os filmes em que trabalhou que mais marcaram sua carreira, ele citou “O Pagador de Promessas”, que levou o cinema brasileiro para outro patamar, ganhando reconhecimento mundial, recebendo até o prêmio Palma de Ouro de Cannes e uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Outro filme citado por ele que marcou sua carreira, foi “Vereda da Salvação”, que teve distribuição bastante restrita.
Respondendo às perguntas diversas dos espectadores, ele comentou sobre a ascensão do cinema digital, afirmando que acredita que essa tecnologia irá dominar sim o mercado cinematográfico, substituindo a película, porém, esse processo será demorado. Carlito afirma que gosta muito do preto-e-branco, e filmar nesse estilo é mais trabalhoso do que em cores. Em meio a essa dominância do capital sobre o cinema, Carlito é questionado sobre o que é mais importante para fazer cinema: “dinheiro ou criatividade”. Ele não hesita, e responde: “Os dois. No mundo do cinema, um não vive sem o outro”.
Carlito comenta que a área cinema no Estado do Ceará cresceu muito nos últimos anos, e que hoje, é muito mais fácil de se ingressar no ramo do que em seu tempo. Nos dias atuais, existem muito mais cursos e oficinas de cinema que facilitam o acesso ao trabalho no Estado, do contrário de sua época, em que era preciso ter muitos contatos para se conseguir tal feito. Com o auditório cheio de jovens, ele dá um conselho para esta nova geração que almeja ingressar no ramo audiovisual: “Vá em frente que você vence. Não é fácil, de fato, mas basta ter força de vontade que você consegue atingir seu objetivo”.
Tendo trabalhado na parte técnica de muitos filmes nacionais e internacionais – além dos grandes cineastas citados no início, como Mazzaropi, ele trabalhou ele vários filmes dos Trapalhões, Robertos Carlos, dentre muitos outros - ao final de sua palestra, Carlito, demonstra extrema humildade a ponto até de chegar a pedir desculpas pelo seu jeito tão simples, já que segundo ele, sua área é trabalhar, e não falar. Quando é pedido para fazer uma reflexão em cima de sua própria carreira, ele – agora aposentado - diz estar realizado pelo trabalho que fez, feliz por todos os diretores com quem trabalhou, e diz que, em todos esses anos trabalhando com recursos tão distintos, não importam as condições de trabalho, e sim, o trabalho final".
A fonte original: http://www.cinemacomrapadura.com.br/mercosul/cobertura/dia2-2.html
Sunday, October 16, 2005
CONVITE

Pouco tempo para pensar, quase nenhum para escrever, esse blog tá virando veículo publicitário.
Convite:
Palestra de Carlito Almeida durante o II Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul, nessa quarta-feira, dia 19, às 14h, no auditório do Centro Dragão do Mar. Na ocasião, será exibida minha primeira tentaviva no mundo do audiovisual, um pequeno vídeo de 3 minutos em homenagem ao palestrante. Fiat Lux!
Wednesday, September 07, 2005
Carta Náutica - 3
É ótimo tomar as rédeas da própria vida de vez em quando. Estou ansiosa pelo meu futuro, mas sei que não importa a conclusão, e sim o desenrolar. Zen: preocupe-se com o processo, e não com o produto. Osho: “Somente aqueles que são muito corajosos, não se importando com a meta e se contentando com a jornada, satisfeitos simplesmente de viver o momento e de nele crescer... somente aqueles são capazes de caminhar com totalidade”. Eu gosto de tarôs, mesmo tendo considerável ceticismo em relação a eles. Será que teria graça ter certezas sobre o futuro? Não sei me conter quando estou alegre. Eu passei muito sem saber que precisamos uns dos outros, agora estou tentando corrigir meu erro. A menina que leu minha mão tinha razão: eu preciso criar juízo (mas eu num sei se quero/consigo não!). Buñuel é um gênio. Adoro usar botas. Já vivi momentos de cinema, absolutamente inesquecíveis – sim, pode acontecer. Que saudade dos finais de semana da minha infância na fazenda, nostalgia inconsolável. Andar de caiaque me foi mais libertador que andar a cavalo, mas muito mais cansativo. Espírito offroad. Adoro fotografar. A fotografia não rouba a alma do fotografado, mas sim a do fotógrafo. Cheiro de chuva. Cheiro de mato molhado. Samba, suor e cerveja. Não resisto a uma mente ágil. Adoro a elegância das roupas de frio. Será que eu ainda sei andar de bicicleta? Será que um dia eu vou conseguir equilibrar a moto? Quem sabe um dia, um 4 x 4. Adoro andar no meio do mato. Eu durmo agarrada no travesseiro. Eu aprendi a andar de skate quando adolescente. Eu não faria uma tatuagem nem nada irreversível, mas acho massa quem tem. Prezo muito a educação. Não gosto de mentiras. Adoro dirigir. Eu tenho uma inexplicável ligação sentimental com a cultura oriental. Dentro do que pude, acho que vivi intensamente. Ás vezes minha alma parece não caber em mim – e é quase uma dor, uma dor boa. Acho que eu precisava de pelo menos umas 4 vidas pra dar conta da minha imaginação. Já que é pra sonhar, vamos sonhar: fotógrafa da National Geographic. Gosto de fotografar gente. É indescritível a sensação de desenhar e congelar intensidades. Talvez seja uma tentativa de se apropriar e absorver o intangível. Eu prego a paz, mas falta de respeito me faz ferver o sangue e eu corro o risco de partir para a violência física. Brigas verbais me estressam mais que as físicas. Eu sempre me destaquei nas artes marciais que pratiquei pelo meu espírito agressivo. Calma, não se assuste, eu sei me controlar. Hoje me dedico somente à dança. “Memorial de Maria Moura”. Clara Nunes, Clementina de Jesus, Cartola, Ataulfo Alves, Adoniran Barbosa etc. Prezo muito a simplicidade. Eu queria ter uma moto, mas morro de medo de cair. Companheirismo e lealdade não têm preço. Eu já fiz quase tudo que já tive vontade e condições de fazer. Os seres (in)humanos não evoluíram espiritualmente, são ainda completamente irracionais. Eu queria voar. Busca: ser/sentir-me Um com Tudo Que Existe. Sofro de um grau leve e saudável de narcisismo. Se eu fosse expressar meu grau de espanto com o mundo, ficaria paralisada. Fofoca é coisa de gente infeliz, que não tira prazer da própria vida. Eu topava ser vampira. Devorei a trilogia das “crônicas vampirescas” da Anne Rice: “Entrevista com o Vampiro”, “O Vampiro Lestat” e “A Rainha dos Condenados”. O filme que provavelmente foi o que mais assisti na minha vida, durante a minha infância: “A Hora do Espanto”. Permitir que a miséria exista mostra o quão egoístas e frios nós somos. “Caetano e Chico – Juntos e Ao Vivo”. Sinto um vazio espiritual que ainda não sei como preencher. Condeno todo tipo de preconceito. Queria poder andar na rua sem sentir medo da violência. Já me decepcionei muito com as pessoas, estou quase deixando de me espantar. Também marcaram minha infância: “E o Ventou Levou...” e “A Noviça Rebelde”. Outra dele: “Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão”.
Sunday, August 21, 2005
Tópicos Semi Óticos Aleatórios
A primeira afirmação que me interessou foi relativa ao que diferencia os tipos de Arte, que são seus respectivos códigos e linguagens. Imediatamente comecei a lembrar do que eu já havia estudado sobre os respectivos códigos da linguagem cinematográfica, da linguagem fotográfica e da linguagem visual como um todo. Por exemplo, o elemento visual predominante no cinema é o movimento, enquanto que na fotografia o movimento pode ser apenas sugerido. Por outro lado, também foi dito em sala que o que une todas as artes é seu caráter de representação. A palavra “todas” me faz ter dúvidas. Seria a música uma representação? E perguntando de outra forma, existe um referente em uma música instrumental, por exemplo? Ou na arte abstrata?
Achei interessante a colocação de que o deslocamento do signo pode lhe dar outro sentido (significado) ou o transformar em outro signo, da qual a poesia é um exemplo. Li recentemente em um livro de Martha Medeiros:
“silêncio, estou escrevendo
e não sei se destas palavras
sairá como mágica uma poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos”
Curioso também o fato de que todas as coisas podem vir a ser signos, quando elas passam a dizer algo mais. Talvez isso seja uma das características da arte contemporânea, ao se utilizar das coisas mais estranhas para compor uma determinada obra. Recentemente vi uma exposição onde o autor se utilizava de tufos de cabelo em todas as peças (evitarei dar minha opinião a respeito).
Realidade x Verdade. Qual a diferença? Cada realidade implica na sua respectiva verdade. Achei interessante o que li na apostila, citação de Marilena Chauí: “Assim para o Grego a verdade depende de que a realidade se manifeste, enquanto a falsidade depende de que ela se esconda ou se dissimule em aparências”. Mais interessante ainda: “O verdadeiro confere às coisas, aos seres humanos, ao mundo, um sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes à verdade e à falsidade”. A noção de verdadeiro talvez seja então uma necessidade humana para melhor agirmos em nossa esfera de percepção. Diz João-Francisco Duarte Júnior, em “O que é Realidade?”, que “talvez não devêssemos falar de realidade, e sim de realidades, no plural. O mundo se apresenta com uma nova face cada vez que mudamos a nossa perspectiva sobre ele. Conforme nossa intenção ele se revela de um jeito”. E conforme nosso jeito (sóbrio, embriagado, com raiva, com depressão etc) ele se revela com uma intenção, para resumir o que discutimos em sala. Ou seja, estados alterados de consciência, assim como o sonho, são realidades também – realidades internas.
As discussões sobre “Matrix” e “1984” me fizeram lembrar da música de “Para Nóia”, de Raul Seixas, da qual retirei o seguinte trecho:
“Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre...
Eu estava com Deus!
Eu tava sempre com Deus!
Minha mãe me disse há tempo atrás
´Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz´
Mas eu não via Deus
Achava assombração, mas...
Mas eu tinha medo!
Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro”
Matrix, Big Brother e Deus estariam na mesma categoria: elementos oniscientes controladores da pseudo-realidade.
Quando falamos da estrutura do signo, Significante, Referente e Significado, achei interessante a colocação de que a significação ultrapassa a evidência. Ou ainda, que é possível alterar o significante, o que muda o significado, sem necessariamente mudar a referência. Por exemplo, uma mulher retratada na pintura naturalista ou na pintura fauve (sem preocupação com a fidelidade das cores) é ainda uma mulher. O que nos leva a falar das formas de apresentação dos signos, ou seja, ícone, índice e símbolo: a pintura naturalista era tanto melhor quanto mais icônica fosse, por exemplo. A arte está quase sempre se utilizando dessas diferentes formas de signo, em maior ou menor grau de intenção, para a partir deles construir o quebra-cabeça da obra. Digo “quase” porque tivemos movimentos como o Dadaísmo ou a Arte Abstrata que não tinham a pretensão de gerar nenhum tipo de identificação por parte do observador. Talvez nesses tipos de arte seja possível reconhecer somente o significante, não se constituindo então como signo.
A linguagem se divide em língua e em fala.
A língua possui os seguintes elementos: gramática – vocabulário (o conjunto de signos) – morfologia – sintaxe (a organização estrutural para formar um sentido) – semântica (o sentido que a organização estrutural pode dar). Para identificar esses elementos em uma determinada linguagem artística, é necessário conhecer seu código. Pode haver sublinguagens que serão definidas de acordo com alterações e adequações em um ou mais desses elementos, sendo eles, na minha opinião, os responsáveis pelas definições de estilos, e não somente a mera repetição de signos. A língua é, portanto, o código. Já a fala é a expressão do código. No caso da arte, a fala é a obra.
Eu acrescentaria ainda, como elemento da linguagem, o discurso, que é o conteúdo manifesto na fala.
A discussão sobre a imagem não poder se utilizar da própria imagem para se analisar me fez pensar como somos totalmente subordinados à linguagem verbal, dependendo dela toda a nossa visão de mundo. Senti muito isso quando eu era professora de inglês e estudava e comparava as estruturas de diversas das línguas e precisava esclarecer certos conceitos para os alunos. Essa estrutura influencia a nossa maneira de construir a realidade, assim como a realidade influencia na construção da estrutura.
Discutimos também sobre o conceito de cultura: uma possível definição, cultura erudita e cultura popular (cuja idéia de limite parece estar cada vez mais tênue, apesar do “popular” ainda ser apreciado pela elite através da ótica do exótico e da noção de “nós” x “eles”), a idéia de interiorização da cultura etc.
Em “Janela da Alma”, o escritor Saramago compara o (pre)domínio da imagem que temos hoje em dia com a “Alegoria da Caverna” de Platão. De fato, grande parte do nosso conceito de realidade é construído a partir das imagens que nos chegam.
O conceito mais interessante pra mim, no entanto, é o da cineasta que diz que não é a diferença física que dá a diferença do olhar, e sim a subjetividade. Semioticamente supondo, eu diria que para ela não importa o significante, e sim o significado.
Achei interessante a colocação de que o deslocamento do signo pode lhe dar outro sentido (significado) ou o transformar em outro signo, da qual a poesia é um exemplo. Li recentemente em um livro de Martha Medeiros:
“silêncio, estou escrevendo
e não sei se destas palavras
sairá como mágica uma poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos”
Curioso também o fato de que todas as coisas podem vir a ser signos, quando elas passam a dizer algo mais. Talvez isso seja uma das características da arte contemporânea, ao se utilizar das coisas mais estranhas para compor uma determinada obra. Recentemente vi uma exposição onde o autor se utilizava de tufos de cabelo em todas as peças (evitarei dar minha opinião a respeito).
Realidade x Verdade. Qual a diferença? Cada realidade implica na sua respectiva verdade. Achei interessante o que li na apostila, citação de Marilena Chauí: “Assim para o Grego a verdade depende de que a realidade se manifeste, enquanto a falsidade depende de que ela se esconda ou se dissimule em aparências”. Mais interessante ainda: “O verdadeiro confere às coisas, aos seres humanos, ao mundo, um sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes à verdade e à falsidade”. A noção de verdadeiro talvez seja então uma necessidade humana para melhor agirmos em nossa esfera de percepção. Diz João-Francisco Duarte Júnior, em “O que é Realidade?”, que “talvez não devêssemos falar de realidade, e sim de realidades, no plural. O mundo se apresenta com uma nova face cada vez que mudamos a nossa perspectiva sobre ele. Conforme nossa intenção ele se revela de um jeito”. E conforme nosso jeito (sóbrio, embriagado, com raiva, com depressão etc) ele se revela com uma intenção, para resumir o que discutimos em sala. Ou seja, estados alterados de consciência, assim como o sonho, são realidades também – realidades internas.
As discussões sobre “Matrix” e “1984” me fizeram lembrar da música de “Para Nóia”, de Raul Seixas, da qual retirei o seguinte trecho:
“Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre...
Eu estava com Deus!
Eu tava sempre com Deus!
Minha mãe me disse há tempo atrás
´Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz´
Mas eu não via Deus
Achava assombração, mas...
Mas eu tinha medo!
Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro”
Matrix, Big Brother e Deus estariam na mesma categoria: elementos oniscientes controladores da pseudo-realidade.
Quando falamos da estrutura do signo, Significante, Referente e Significado, achei interessante a colocação de que a significação ultrapassa a evidência. Ou ainda, que é possível alterar o significante, o que muda o significado, sem necessariamente mudar a referência. Por exemplo, uma mulher retratada na pintura naturalista ou na pintura fauve (sem preocupação com a fidelidade das cores) é ainda uma mulher. O que nos leva a falar das formas de apresentação dos signos, ou seja, ícone, índice e símbolo: a pintura naturalista era tanto melhor quanto mais icônica fosse, por exemplo. A arte está quase sempre se utilizando dessas diferentes formas de signo, em maior ou menor grau de intenção, para a partir deles construir o quebra-cabeça da obra. Digo “quase” porque tivemos movimentos como o Dadaísmo ou a Arte Abstrata que não tinham a pretensão de gerar nenhum tipo de identificação por parte do observador. Talvez nesses tipos de arte seja possível reconhecer somente o significante, não se constituindo então como signo.
A linguagem se divide em língua e em fala.
A língua possui os seguintes elementos: gramática – vocabulário (o conjunto de signos) – morfologia – sintaxe (a organização estrutural para formar um sentido) – semântica (o sentido que a organização estrutural pode dar). Para identificar esses elementos em uma determinada linguagem artística, é necessário conhecer seu código. Pode haver sublinguagens que serão definidas de acordo com alterações e adequações em um ou mais desses elementos, sendo eles, na minha opinião, os responsáveis pelas definições de estilos, e não somente a mera repetição de signos. A língua é, portanto, o código. Já a fala é a expressão do código. No caso da arte, a fala é a obra.
Eu acrescentaria ainda, como elemento da linguagem, o discurso, que é o conteúdo manifesto na fala.
A discussão sobre a imagem não poder se utilizar da própria imagem para se analisar me fez pensar como somos totalmente subordinados à linguagem verbal, dependendo dela toda a nossa visão de mundo. Senti muito isso quando eu era professora de inglês e estudava e comparava as estruturas de diversas das línguas e precisava esclarecer certos conceitos para os alunos. Essa estrutura influencia a nossa maneira de construir a realidade, assim como a realidade influencia na construção da estrutura.
Discutimos também sobre o conceito de cultura: uma possível definição, cultura erudita e cultura popular (cuja idéia de limite parece estar cada vez mais tênue, apesar do “popular” ainda ser apreciado pela elite através da ótica do exótico e da noção de “nós” x “eles”), a idéia de interiorização da cultura etc.
Em “Janela da Alma”, o escritor Saramago compara o (pre)domínio da imagem que temos hoje em dia com a “Alegoria da Caverna” de Platão. De fato, grande parte do nosso conceito de realidade é construído a partir das imagens que nos chegam.
O conceito mais interessante pra mim, no entanto, é o da cineasta que diz que não é a diferença física que dá a diferença do olhar, e sim a subjetividade. Semioticamente supondo, eu diria que para ela não importa o significante, e sim o significado.
Thursday, August 04, 2005
4 semanas e ½ de uma coisa boa que só
Nota de Esclarecimento
Aquele post falando do cd é na verdade uma enorme comemoração, e a causa de tamanha felicidade ainda está por perto. A despedida do último post se refere à outra coisa, relaxem. :)

4
semanas
e
1/2
de
uma
coisa
boa
que
só
Do limitado presente para a ilimitada eternidade
"Os estóicos afirmam que podemos pensar o tempo de duas maneiras: a partir dos corpos e a partir dos acontecimentos. A física dos corpos estaria submetida à cronos, o tempo cronológico que mede o intervalo do movimento da ação de todos os corpos que existem. Enquanto tempo dos corpos ele é sempre presente. E só o presente existe. A partir dos acontecimentos o tempo não existe, insiste. Os acontecimentos estariam imersos no aion, o tempo ilimitado onde o passado e o futuro insistem. Nesse tempo todo acontecimento é, foi e será. Presente, passado e futuro acontecem ao mesmo tempo. Por exemplo: se estou amando, eu amo, já amei e vou amar. Tudo ao mesmo tempo. Todo acontecimento, que insiste, tem a forma do passado e do futuro, no momento em que acontece. É como se o tempo passado e o tempo futuro se encontrassem no instante, do mesmo modo que as linhas paralelas se encontram no infinito, para formar o tempo do presente eterno, desprovido de idade cronológica. Esse tempo, de idade eterna, seria a própria eternidade. Quando cronos e aion se encontram, qualquer banalidade pode se transformar em um grande acontecimento e qualquer acontecimento pode corresponder a eternidade de uma vida, porque é vivido num tempo ilimitado. É justamente nesse tempo que o amor é vivido como sendo eterno".
Jadir Lessa
Aquele post falando do cd é na verdade uma enorme comemoração, e a causa de tamanha felicidade ainda está por perto. A despedida do último post se refere à outra coisa, relaxem. :)

4
semanas
e
1/2
de
uma
coisa
boa
que
só
Do limitado presente para a ilimitada eternidade
"Os estóicos afirmam que podemos pensar o tempo de duas maneiras: a partir dos corpos e a partir dos acontecimentos. A física dos corpos estaria submetida à cronos, o tempo cronológico que mede o intervalo do movimento da ação de todos os corpos que existem. Enquanto tempo dos corpos ele é sempre presente. E só o presente existe. A partir dos acontecimentos o tempo não existe, insiste. Os acontecimentos estariam imersos no aion, o tempo ilimitado onde o passado e o futuro insistem. Nesse tempo todo acontecimento é, foi e será. Presente, passado e futuro acontecem ao mesmo tempo. Por exemplo: se estou amando, eu amo, já amei e vou amar. Tudo ao mesmo tempo. Todo acontecimento, que insiste, tem a forma do passado e do futuro, no momento em que acontece. É como se o tempo passado e o tempo futuro se encontrassem no instante, do mesmo modo que as linhas paralelas se encontram no infinito, para formar o tempo do presente eterno, desprovido de idade cronológica. Esse tempo, de idade eterna, seria a própria eternidade. Quando cronos e aion se encontram, qualquer banalidade pode se transformar em um grande acontecimento e qualquer acontecimento pode corresponder a eternidade de uma vida, porque é vivido num tempo ilimitado. É justamente nesse tempo que o amor é vivido como sendo eterno".
Jadir Lessa
Tuesday, August 02, 2005
Oi, tudo bom?, tchau
Não entender os outros é compreensível, mas não entender a mim mesma, acho inaceitável. Freud explica, mas ele não está aqui pra eu perguntar, então tenho que me virar pra descobrir. E abestada como só eu consigo ser, às vezes não noto os sinais que vou deixando. Eu mesma falo, e não me escuto. Eu mesma escrevo, e não me leio. Aí fico tentando encontrar uma maneira nova de dizer o que eu sabia antes de todo mundo, mas pareço ser a última a descobrir. E creio ter descoberto finalmente. A raiva, a irritação, é a revolta que sentimos quando algo nos escapa das mãos. É o incômodo por não ter sido competente o suficiente. É o ego ferido. É o ter que desapegar-se de algo que pensou-se destino. É a dor latejante que a fuga do futuro pensado provoca a cada minuto que se distancia. É a decepção de ver somente o outro onde se queria ver também a si mesmo. É sentir que todo o melhor que se tinha para oferecer foi recusado.
Ah, é isso? Ah, bom... Então tá.
“Somente assim, quando os mistérios se tornam reais, é que a gente descobre que um segredo encobre as coisas mais banais”. (Trecho de “Segredo”, música de Marcílio Homem e Marcus Dias).

Em uma dessas noites deliciosas, meio mágicas, o acaso (?) resumiu talvez melhor do que eu. Repito a explicação do Danilo: “Biza, Victor, Camile, eu, Alinne e Anderson parimos o que se segue, nessa ordem, sem saber o que vinha antes. Surpresa, surpresa!”
“A sós estamos
Das horas sintomáticas
Retiro a dor aprisionada
Com lágrimas secas, sem remorso
A partida foi necessária
Mas o jogo não acabou
Nem nunca irá acabar
Por conta do sempre que não deixa
Eu me atenho ao efêmero volátil
E a mim atrai o que vem e vai
Apesar de sempre preferir o que fica
E de nunca esquecer o que passou
Pois o que passou é um grande aprendizado
E disso só as paredes são cúmplices
Só elas tremem ao som do grito que me desgraça, todo ele arrancado pela ausência
Livra minh'alma e me eterniza
Que seja agora pois cada segundo importa
Agora”
Agora que sei o peso da minha carga
Endireito as costas, expulso a poeira,
E afirmo:
- Nada.
“Vamos começar colocando um ponto final.
É tudo novo de novo.
Vamos celebrar nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou.
E vamos terminar inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou...
É tudo novo de novo”.
(Paulinho Moska)
Agora que aceitei o luto,
Enterro, ponho flores, evito fotos.
O novo sempre vem.
“Olho, e não posso.
Tento conter, e erro a mira.
Lembro, e é só o que posso.
Não é sempre assim
E por isso me estranho
Afinal, é só um estranho.
Ainda não achei certezas
Não reencontrei suspeitas.
Eu sou, e já passou”.
(30/08/05)
Pensei e repensei. Conclui: fiz o que pude. Adeus.
Ah, é isso? Ah, bom... Então tá.
“Somente assim, quando os mistérios se tornam reais, é que a gente descobre que um segredo encobre as coisas mais banais”. (Trecho de “Segredo”, música de Marcílio Homem e Marcus Dias).

Em uma dessas noites deliciosas, meio mágicas, o acaso (?) resumiu talvez melhor do que eu. Repito a explicação do Danilo: “Biza, Victor, Camile, eu, Alinne e Anderson parimos o que se segue, nessa ordem, sem saber o que vinha antes. Surpresa, surpresa!”
“A sós estamos
Das horas sintomáticas
Retiro a dor aprisionada
Com lágrimas secas, sem remorso
A partida foi necessária
Mas o jogo não acabou
Nem nunca irá acabar
Por conta do sempre que não deixa
Eu me atenho ao efêmero volátil
E a mim atrai o que vem e vai
Apesar de sempre preferir o que fica
E de nunca esquecer o que passou
Pois o que passou é um grande aprendizado
E disso só as paredes são cúmplices
Só elas tremem ao som do grito que me desgraça, todo ele arrancado pela ausência
Livra minh'alma e me eterniza
Que seja agora pois cada segundo importa
Agora”
Agora que sei o peso da minha carga
Endireito as costas, expulso a poeira,
E afirmo:
- Nada.
“Vamos começar colocando um ponto final.
É tudo novo de novo.
Vamos celebrar nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou.
E vamos terminar inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou...
É tudo novo de novo”.
(Paulinho Moska)
Agora que aceitei o luto,
Enterro, ponho flores, evito fotos.
O novo sempre vem.
“Olho, e não posso.
Tento conter, e erro a mira.
Lembro, e é só o que posso.
Não é sempre assim
E por isso me estranho
Afinal, é só um estranho.
Ainda não achei certezas
Não reencontrei suspeitas.
Eu sou, e já passou”.
(30/08/05)
Pensei e repensei. Conclui: fiz o que pude. Adeus.
Monday, July 25, 2005
Disco 1, faixa 4

Meu amor, que maldade ouvir esse cd de novo. Tô ouvindo aquela música agora, enquanto escrevo. As mão chega treme. Volta tudo na minha cabeça!!! Aff... Quem dera voltasse tudo. Tô sem ar. Foi lindo demais. Lindo demais. Chega chora. Inesquecível. Não importa o que aconteça, você já se tornou inesquecível. Essa música suspende o tempo, desintegra as coisas, suspende a gravidade, cria umas luzes distantes, solidifica uns cheiros, flui texturas, e tudo se liquefaz, se mistura, e gira, gira, se mistura mais, e eu num sei mais até onde vou eu, e onde é você, e o resto... que resto? Repousa tudo em mim à sombra desse eclipse. Paz. Serenidade. Plenitude. E porque nem sempre se lembra, é bom se dizer: felicidade. E parece que vai escoando lentamente, porque tamanha concentração não se sustenta. Mas não se perde, porque o princípio permanece interno. Pronto, acabou a música. Calo. Um beijo com requinte transcendental.
Wednesday, July 20, 2005
Pra gente se conhecer mió
Copie este e-mail inteiro (não encaminhe) e cole em
outro que você irá enviar. Mude todas as respostas de
modo que se apliquem a você. Então, envie a todos os
seus amigos(as), incluindo EU. Você descobrirá muitas
coisas a respeito de seus amigos. É sempre bom saber
um pouco mais de quem se gosta!!! A teoria é que
você vai aprender bastante sobre pequenos fatos de
seus amigos(as) e conhecê-los(as) muito mais, também.
LEMBRE-SE DE ENVIAR PARA QUEM TE ENVIOU. No fim, vc
verá como a brincadeira é divertida e também
muito saudável...
1) Que horas são?
22:21 - que sono!!!
2) Nome?
Camile - adoro meu nome.
3) Quantidade de velas no teu último bolo de
aniversário:
Não teve velas, e nem lembro como era o bolo. Mas fiz 25, pronto!
4) Furos nas orelhas?
Um em cada, após uma ou duas tentativas anteriores que inflamaram e ficou saindo uma gosma verde. Alergia de pele, eu acho.
5) Tatuagens?
Não. Já tive uma vontade distante, mas acho que não faria nada no corpo que fosse irreverssível. Mas acho uma graça quem tem. Fiz de rena, serve?
6) Piercing?
Nunca nem pensei. Mas nos outros, respeito.
7) Já foi à África?
Não, infelizmente. Mas iria agooooora!!! Um dia, quem sabe...
8) Já ficou bêbado(a)?
Já, e quando não passei mal depois, foi ótimo. Topo demás ficar de novo.
9) Já chorou por alguém?
Iiihhhhh, dezenas de vezes... choro que me acabo. Das últimas vezes chorei me olhando no espelho dizendo entre os dentes "é a última vez que choro por alguém", mas sei que nunca é. Mas acho que tenho chorado cada vez menos (espero). Faz parte da vida, né?
10) Já esteve envolvido(a) em algum acidente de
carro?
Acidentes não. Batidas, em média, uma vez por mês, hihihi. Exageros à parte, uma vez por ano, ao menos. Só vacilos de gente lerda que anda rápido.
11) Peixe ou carne?
Peixe também é carne, né meu bem? Mas prefiro as vermelhas.
12) Música preferida?
Impossível escolher - aaaaaamo música.
13) Cerveja ou Champanhe?
Cerveja. E demorou pra acostumar a tomar essa porra. Ainda me arrupio toda.
14) Metade cheio ou Metade vazio?
Frescura de linguagem.
15) Lençóis de cama lisos ou estampados?
Eu durmo do mesmo jeito. Acho que tanto faz. Talvez os lisos relaxem mais.
16) Programa de televisão?
Filmes, seriados e alguns documentários, todos da tv por assinatura. Não vejo nada da tv aberta.
18) Filme preferido?
Também impossível escolher - cinéeeeeefila.
20) Flor (es)?
Ah, sei lá, entendo disso não. Rosas são bonitas.
21) Coca-Cola simples ou com gelo?
Odeeeeeeio Coca-Cola!!!
22) De que pessoa recebeu esse e-mail?
Danilo.
23) Quem dos teus amigos vive mais longe?
Hum... a Pri, ali na Aldeota, mas é a que menos vejo.
24) O melhor amigo(a)?
Priscilla.
25) Hora de dormir?
Por conta do trabalho, 23h no máximo. Pelo meu gosto, 4 da manhã.
26) Quem acha que vai responder esse e-mail mais
rápido?
Ainda nem sei pra quem vou mandar essa porra réa chata... sei não. Acho q ninguém vai responder! hihihi
27) Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes
de atender?
O mínimo possível. Odeio a zuada do bicho tocando.
28) Qual a figura do seu mouse-pad?
Foi brinde da Corpvs.
29) CD preferido?
Ô pergunta réa impossível, de novo.
30) Mulher bonita?
Fora eu? Angelina Jolie. Não é bonita, é exótica, sei lá.
31) Homem bonito?
Só pode dizer um? Hum... O médico croata do ER, Goran Vojsnick, ou algo assim.
32)Pior sentimento do mundo?
Que a vida não vale a pena, que é melhor morrer logo. Faz anos que não sinto, que maravilha.
33) Melhor sentimento do mundo?
Que a vida vale a pena, que ela é rica e transbordante. Seja qual for o motivo da felicidade.
35) Qual o primeiro pensamento ao acordar?
"Puta que pariu!! Desligar o despertador!!!". Se for no fim de semana, "hum... posso ficar o quanto quiser... aleluia... isso é felicidade".
36) Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?
Nem idéia, adoro ser eu.
37) Algo que você nunca tira?
Arriégua, sei lá. Minhocas da cabeça, pulgas detrás das oreia.
38) O que é que você tem debaixo da cama?
Nada, é um tipo de caixão que vai até o chão.
39) Nome da pessoa que talvez não te responda?
Victor.
40) Aquele que com certeza vai te responder?
Nem idéia. A Pri, talvez.
41) Quem gostaria que te respondesse?
Faço questão não, viu meu povo? Talvez o Victor, pra eu conhecer mais esses detalhes bestas, o Dudu, porque imagino que as respostas seriam um barato! :) e a Pri, pra ver se eu conheço ela mermo.
42) Uma frase
Carpe diem.
43)Que dia é hoje?
Terça, 19 de julho.
44) Diz uma coisa de quem te enviou esse e-mail:
Amigo insubstituível.
45) O que vc acha de mim?
Comassim, mansh? Eu tenho uma porrada de defeitos, o pior talvez seja que fico muito na defensiva e respondo com agressividade, mas acho que tenho muitas qualidades massa, algumas raras, como a honestidade, que herdei da minha família. Eu sou, no geral, muito legal.
outro que você irá enviar. Mude todas as respostas de
modo que se apliquem a você. Então, envie a todos os
seus amigos(as), incluindo EU. Você descobrirá muitas
coisas a respeito de seus amigos. É sempre bom saber
um pouco mais de quem se gosta!!! A teoria é que
você vai aprender bastante sobre pequenos fatos de
seus amigos(as) e conhecê-los(as) muito mais, também.
LEMBRE-SE DE ENVIAR PARA QUEM TE ENVIOU. No fim, vc
verá como a brincadeira é divertida e também
muito saudável...
1) Que horas são?
22:21 - que sono!!!
2) Nome?
Camile - adoro meu nome.
3) Quantidade de velas no teu último bolo de
aniversário:
Não teve velas, e nem lembro como era o bolo. Mas fiz 25, pronto!
4) Furos nas orelhas?
Um em cada, após uma ou duas tentativas anteriores que inflamaram e ficou saindo uma gosma verde. Alergia de pele, eu acho.
5) Tatuagens?
Não. Já tive uma vontade distante, mas acho que não faria nada no corpo que fosse irreverssível. Mas acho uma graça quem tem. Fiz de rena, serve?
6) Piercing?
Nunca nem pensei. Mas nos outros, respeito.
7) Já foi à África?
Não, infelizmente. Mas iria agooooora!!! Um dia, quem sabe...
8) Já ficou bêbado(a)?
Já, e quando não passei mal depois, foi ótimo. Topo demás ficar de novo.
9) Já chorou por alguém?
Iiihhhhh, dezenas de vezes... choro que me acabo. Das últimas vezes chorei me olhando no espelho dizendo entre os dentes "é a última vez que choro por alguém", mas sei que nunca é. Mas acho que tenho chorado cada vez menos (espero). Faz parte da vida, né?
10) Já esteve envolvido(a) em algum acidente de
carro?
Acidentes não. Batidas, em média, uma vez por mês, hihihi. Exageros à parte, uma vez por ano, ao menos. Só vacilos de gente lerda que anda rápido.
11) Peixe ou carne?
Peixe também é carne, né meu bem? Mas prefiro as vermelhas.
12) Música preferida?
Impossível escolher - aaaaaamo música.
13) Cerveja ou Champanhe?
Cerveja. E demorou pra acostumar a tomar essa porra. Ainda me arrupio toda.
14) Metade cheio ou Metade vazio?
Frescura de linguagem.
15) Lençóis de cama lisos ou estampados?
Eu durmo do mesmo jeito. Acho que tanto faz. Talvez os lisos relaxem mais.
16) Programa de televisão?
Filmes, seriados e alguns documentários, todos da tv por assinatura. Não vejo nada da tv aberta.
18) Filme preferido?
Também impossível escolher - cinéeeeeefila.
20) Flor (es)?
Ah, sei lá, entendo disso não. Rosas são bonitas.
21) Coca-Cola simples ou com gelo?
Odeeeeeeio Coca-Cola!!!
22) De que pessoa recebeu esse e-mail?
Danilo.
23) Quem dos teus amigos vive mais longe?
Hum... a Pri, ali na Aldeota, mas é a que menos vejo.
24) O melhor amigo(a)?
Priscilla.
25) Hora de dormir?
Por conta do trabalho, 23h no máximo. Pelo meu gosto, 4 da manhã.
26) Quem acha que vai responder esse e-mail mais
rápido?
Ainda nem sei pra quem vou mandar essa porra réa chata... sei não. Acho q ninguém vai responder! hihihi
27) Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes
de atender?
O mínimo possível. Odeio a zuada do bicho tocando.
28) Qual a figura do seu mouse-pad?
Foi brinde da Corpvs.
29) CD preferido?
Ô pergunta réa impossível, de novo.
30) Mulher bonita?
Fora eu? Angelina Jolie. Não é bonita, é exótica, sei lá.
31) Homem bonito?
Só pode dizer um? Hum... O médico croata do ER, Goran Vojsnick, ou algo assim.
32)Pior sentimento do mundo?
Que a vida não vale a pena, que é melhor morrer logo. Faz anos que não sinto, que maravilha.
33) Melhor sentimento do mundo?
Que a vida vale a pena, que ela é rica e transbordante. Seja qual for o motivo da felicidade.
35) Qual o primeiro pensamento ao acordar?
"Puta que pariu!! Desligar o despertador!!!". Se for no fim de semana, "hum... posso ficar o quanto quiser... aleluia... isso é felicidade".
36) Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?
Nem idéia, adoro ser eu.
37) Algo que você nunca tira?
Arriégua, sei lá. Minhocas da cabeça, pulgas detrás das oreia.
38) O que é que você tem debaixo da cama?
Nada, é um tipo de caixão que vai até o chão.
39) Nome da pessoa que talvez não te responda?
Victor.
40) Aquele que com certeza vai te responder?
Nem idéia. A Pri, talvez.
41) Quem gostaria que te respondesse?
Faço questão não, viu meu povo? Talvez o Victor, pra eu conhecer mais esses detalhes bestas, o Dudu, porque imagino que as respostas seriam um barato! :) e a Pri, pra ver se eu conheço ela mermo.
42) Uma frase
Carpe diem.
43)Que dia é hoje?
Terça, 19 de julho.
44) Diz uma coisa de quem te enviou esse e-mail:
Amigo insubstituível.
45) O que vc acha de mim?
Comassim, mansh? Eu tenho uma porrada de defeitos, o pior talvez seja que fico muito na defensiva e respondo com agressividade, mas acho que tenho muitas qualidades massa, algumas raras, como a honestidade, que herdei da minha família. Eu sou, no geral, muito legal.
Wednesday, July 13, 2005
Fortuna Imperatrix Mundi

Dias movimentadíssimos. É tanta coisa boa acontecendo que dá é medo, e meu tempo disponível para escrever mal acompanha. Por isso falo das novidades já sem o fogo da vibração inicial e com a linguagem contida, mas que isso não se confunda com ingratidão ou indiferença. Estou com a paz dos abençoados, com a calma dos cautelosos, com o autocontrole dos desconfiados, com a serenidade dos racionais, com a paciência dos experientes, com o desapego dos pessimistas, com a discrição dos vigiados. Sim: mal me reconheço.
E certas alegrias me fazem agir como nas maiores tristezas: não consigo escrever sobre. Guardo então para mim as melhores lembranças. Talvez eu até escreva, porque minha memória é traiçoeira e certos momentos não devem ser jamais esquecidos. Mas não publicarei aqui. Certo tipo de felicidade, quando expressa, parece que se dilui.
“Escrever nem uma coisa nem outra –
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar –
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes”. (Manoel de Barros)
- “Diz que não sabe
É tempo de saber
Tente sentir o que você tem medo
- Quero dizer que não perdi meu tempo
Sinto por não poder me ver em ti”
- “Pois o amor é assim: morada alheia.
A gente entra quando pode
E sai quando precisa”.
“Aquilo que atribuis ao tempo
É por definição distância.
De forma que não poderias
Defender teu mundo no vazio do objeto”.
- “Primeiro tive que afastar meus pés de toda lama
e arriscar um salto de aparente suicídio
mas que depois de tudo me revelaria
uma noção de peso do meu próprio mundo
Onde sequer sementes que nem brotariam
qualquer demasia, qualquer densidade
qualquer tentativa de sobrevivência
que justificasse a escolha do impossível
Quando não resta espaço pra falar do tempo
e conseqüentemente ausenta-se a palavra
em troca de um suposto alívio oferecido
arrisco a trajetória às vésperas do salto
O que oportunamente se reverterá
nas múltiplas passagens solidificadas
da infinita espera pelo inexplorado
até que se apresente um corpo ao meu destino”.
“É preciso estar bonito,
Sóbrio, reluzente
Encarcerar a dor
Fingir que está contente”
“E o que foi calado habita o que não foi desfeito”.
* Todas as citações são trechos de letras ou poesias do cd “Algo Sobre a Distância e o Tempo”, de Isaac Cândido e Marcus Dias.
Tuesday, June 28, 2005
Salvador Wilde

Tudo começa com um bom (e-terno vício) chocolate gelado e uma dessas companhias que te induzem e te despertam a tagarelar. Depois disso, em companhia dessa pessoa, veja uma peça que é um verdadeiro exercício filosófico. Sinta tesão por um dos atores. Tenha vontade de ler Fernando Pessoa no meio da peça. Perceba Sartre nas entrelinhas. Lembre da peça que você própria escreveu. Fume um cigarro enquanto analisa todos os aspectos e todas as frases de efeito que te marcaram com a mesma dita pessoa que te acompanhou. Deixe chover. Faça questão de deixar essa pessoa em casa porque você gosta da companhia dela, porque a noite a pé pode ser cruel e porque dirigir é uma delícia. Converse bastante com ela no caminho, relembre do homem complexo que você não esquece e perceba que ela definiu melhor que você a sua não-relação amorosa. Volte sozinha pra casa cantando “Esquadros” se esgoelando porque a vida é sozinha, linda, colorida e tem essas coisas e cores sem nomes que são mais que tudo. Cante também “Água Perrier”, que também define melhor que você a sua não-existente relação amorosa. Sorria com essa idéia e alegre-se: você chegou em casa.
Rapaz, não é que eu me revoltei mesmo?
“Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo não entendo?” - Salvador Dali
“Tenho amigos para saber quem eu sou”. - Oscar Wilde
“Esquadros”
eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de almodóvar
cores de frida kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome
pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle
eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto pra quem?
pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle
eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado
pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle
“Água Perrier”
não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
porque eu, meu amor,
acho graça até mesmo em clichês
adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão deja vu
mesmo antes de ver
só proponho alimentar seu tédio
para tanto exponho a minha admiração
você em troca cede
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação
aí eu componho uma nova canção
adoro sei lá porque
esse olhar meio escudo
que não quer meu álcool forte
e sim água perrier
Saturday, June 11, 2005
Boletim Especial Dia dos Namorados
“DAR”
Luis Fernando Verissimo
Dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido. Mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca... Te chama de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza... Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar.... Sem querer apresentar pra mãe... Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral... Te amolece o gingado... Te molha o instinto. Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazio. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?". É não ter companhia garantida para viajar. É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia. Dar é não querer dormir encaixadinho... É não ter alguém para ouvir seus dengos... Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar. Experimente ser amado...
“SER OU NÃO SER DE NINGUÉM?"
Arnaldo Jabor
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida.... Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix”. A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para "amar". Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional. Podemos aprender a amar se relacionando, trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo e não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
Luis Fernando Verissimo
Dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido. Mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca... Te chama de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza... Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar.... Sem querer apresentar pra mãe... Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral... Te amolece o gingado... Te molha o instinto. Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazio. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?". É não ter companhia garantida para viajar. É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia. Dar é não querer dormir encaixadinho... É não ter alguém para ouvir seus dengos... Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar. Experimente ser amado...
“SER OU NÃO SER DE NINGUÉM?"
Arnaldo Jabor
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida.... Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix”. A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para "amar". Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional. Podemos aprender a amar se relacionando, trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo e não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
Wednesday, June 01, 2005
Carta Náutica - 2
Coisas anônimas são boas só durante certo tempo. Desagradável desconfiança: não tenho paciência para conversar com mentes muito diferentes da minha. As pessoas sinceras são terríveis espelhos. Freud explica. Se eu fosse, acho que não voltaria. Pedir desculpas às vezes é um parto. Injustiça social: a lei do carma e a lei do eterno retorno. Paz: quando o Outro vira uma lembrança virada do avesso. Casamento devia constar no item “Das Penalidades”. Eu só me arrependo do que deixei de fazer. Os clichês se tornam clichês pela verdade que encerram. Banho ao som de “Innseiling” (mergulhar tem esse som). Apnéia. Voar ao som de “Cool wind green hills”. Correr ao som de “Summer running” (por que diabos os nomes dão certo com as sensações inspiradas??). Litoral, serra e sertão. A inveja foi uma das mais bem sucedidas invenções do demônio. O Inconsciente é um saco, eu queria ter domínio sobre mim. O que fazer para entrar na Família Schürmman? Tenho conhecido pessoas incríveis, que sorte. “As Horas” – para ler, ver e sentir. Eu queria ser uma grande guitarrista. Estou revendo minhas concepções religiosas: acho que passarei de atéia para agnóstica. O mundo me fere. Quem dera: equilíbrio. A única vantagem de envelhecer é a experiência adquirida – ainda assim, nem sempre resolve muita coisa. Às vezes, ser forte significa somente sobreviver. Nem toda feminilidade se apóia sobre saltos. Romantismo não tem cura, mas algumas doses de vida real amenizam incrivelmente o problema. Quase tudo passa, ou ao menos se modifica. Chuva, muita chuva, com trovões e relâmpagos – quanto mais, melhor. Eu odeio o Papa-léguas, o Piu-piu e o rato do Tom & Jerry, sou torcedora do Coiote e dos gatos. Eu também não gosto do Mickey, prefiro o Pato Donald. Cheiro da pele. Rir, sempre. Álcool tem um gosto terrível. Eu bebo muito pouco e sou altamente econômica: 3 cervejas me deixam totalmente inoperante, e é a única bebida que consigo tomar. Eu adoro Sex and the City. Eu não acredito em espíritos, mas morro de medo só por precaução. Eu geralmente sou muito impaciente. Carpe diem. Trabalhar com entusiasmo e de forma produtiva é muito gostoso. Adoro ter um amigo que fuma Piper. Eu também gostei de fumar Piper. Acho (e espero) que serei amiga do Danilo pra sempre. Do lado feminino, a Priscilla é a pessoa que mais me entende, é minha melhor amiga, da qual eu sinto muita falta e morro de medo que nossas vidas nos separem. Eu sou leal. Acho que vou tomar leite com Nescau até o fim da vida. Uma rede num alpendre. Cinéfila. Aprender, sempre. Adoro ser mulher. Muito manhosa, característica que se multiplica por dez ao menor sinal de uma simples gripe. Adoro homens e animais, especialmente os gatos. Eu sou muita sincera. Apesar de muito extrovertida, às vezes eu sou tímida para as maiores besteiras. Adoro estar apaixonada, tudo fica mais colorido. Eu gosto da filosofia oriental, e tento viver de acordo com ela o máximo possível. Adoro Calvin e Haroldo, e agradeço muitíssimo ao homem que me apresentou a eles (“Felino, Selvagem, Psicopata, Homicida”). Adoro quem conversa comigo me olhando nos olhos. O beijo esclarece boa parte do mistério. O Saturday Night Live é massa. O Monthy Pyton era perfeito. Com certeza: antes só do que mal-acompanhado. Eu sou extremamente agradecida pela vida que tenho. Piadinha sexista que eu adaptei: o homem que entendeu a mulher morreu de tanto rir, e a mulher que entendeu o homem morreu de tédio (brincadeirinha, meninos... adoro vocês). Eu tenho bom coração, mesmo que nem sempre consiga pôr isso em prática. Ascânio, Nilce, Cris, Dani. Eu achava que o mundo era perfeito porque eu nasci numa família quase perfeita. Escrever me economiza terapia. Eu fico muito na defensiva. Estou gostando do “Lost”, não perco um capítulo. Eu queria ter um gato. Improviso. Ironia. Tem horas que não dá pra esperar pelo resgate, é preciso fazer o que mais nos pesa: escolher. Mais uma do Quintana: “Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... Eu, passarinho!”
Tuesday, May 31, 2005
A Little Help From My Friends
Enya canta a conclusão dos acontecimentos dos meus últimos dias:
Who can say where the road goes
Where the day flows, only time
And who can say if your love grows
As your heart chose, only time
Who can say why your heart sighs
As your love flies, only time
And who can say why your heart cries
When your love lies, only time
Who can say when the roads meet
That love might be in your heart
And who can say when the day sleeps
If the night keeps all your heart
Night keeps all your heart
Who can say if your love grows
As your heart chose
- Only time
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time
Who knows? Only time
Do meu último post até esse, durante vários dias tive vontade de escrever sobre os mais variados acontecimentos, variando da alegria à decepção. Por falta de tempo e saco, fui adiando. Ainda bem. Porque o motivo da alegria já passou, e a decepção já se repetiu. Então teriam sido posts de curta vida e raso sentido. O bacana foi perceber que tenho algo de extremamente maravilhoso, que me dá muita alegria, e dificilmente me decepcionará em níveis imperdoáveis: meus amigos. Não importa quantos sejam, no singular já seria sorte. No plural, é um enorme privilégio.
Voltem sempre a minha casa. Voltemos sempre ao Zé do Mangue. Voltemos, sempre.
O que teria sido esses dias se não fossem vocês...
Who can say where the road goes
Where the day flows, only time
And who can say if your love grows
As your heart chose, only time
Who can say why your heart sighs
As your love flies, only time
And who can say why your heart cries
When your love lies, only time
Who can say when the roads meet
That love might be in your heart
And who can say when the day sleeps
If the night keeps all your heart
Night keeps all your heart
Who can say if your love grows
As your heart chose
- Only time
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time
Who knows? Only time
Do meu último post até esse, durante vários dias tive vontade de escrever sobre os mais variados acontecimentos, variando da alegria à decepção. Por falta de tempo e saco, fui adiando. Ainda bem. Porque o motivo da alegria já passou, e a decepção já se repetiu. Então teriam sido posts de curta vida e raso sentido. O bacana foi perceber que tenho algo de extremamente maravilhoso, que me dá muita alegria, e dificilmente me decepcionará em níveis imperdoáveis: meus amigos. Não importa quantos sejam, no singular já seria sorte. No plural, é um enorme privilégio.
Voltem sempre a minha casa. Voltemos sempre ao Zé do Mangue. Voltemos, sempre.
O que teria sido esses dias se não fossem vocês...
Friday, May 20, 2005
Noite
“Amo a noite, de paixão. Amo-a como se ama o seu país ou sua amante, de um amor instintivo, profundo, invencível. Amo-a com todos meus sentidos, com meus olhos que a vêem, com meu olfato que a respira, com meus ouvidos que escutam seu silêncio, com toda minha carne, que as trevas acariciam”. – Guy de Maupassant.
“É difícil descrever para um ser urbano eletrificado o prazer de dormir com os grilos, ler de lampião (...). O prazer de não ter um único vizinho aceso, de não ver um poste, de não ouvir barulho de cidade ou de carros – e estar tão perto de tudo. (...) Receber um telefonema, nem pensar. (...) Vê-se muito mais a noite num lugar onde não há luz”. – Amyr Klink.
“É difícil descrever para um ser urbano eletrificado o prazer de dormir com os grilos, ler de lampião (...). O prazer de não ter um único vizinho aceso, de não ver um poste, de não ouvir barulho de cidade ou de carros – e estar tão perto de tudo. (...) Receber um telefonema, nem pensar. (...) Vê-se muito mais a noite num lugar onde não há luz”. – Amyr Klink.
Tuesday, May 17, 2005
I Will Survive
Eita, que o final de semana foi agitado.
Na famigerada sexta-feira 13, a comemoração da minha vigésima quinta primavera foi no Cumpadi Marinho, lugarzinho que eu ainda não conhecia, mas achei muito aconchegante. A banda de blues foi o detalhe que me fez decidir por lá e, de fato, tocando suavemente ela deu um toque especial. A lista de presença foi recheada de nomes, vários inclusive gravados a ferro e fogo no meu coração: Priscilla & Rafael, Amanda, Danilo, Jordana, Anderson & Aline, Sellaro & Mirella, Suzette & Felipe, Alécio, Goethe, Isaac Cândido & Andréa, Pedro, Márcio & Juliana, Mimi Rocha, Rodrigo etc (caso eu tenha esquecido alguém, foi mal aí...). Agradeço demais a presença e o carinho de todos vocês. Agradeço muitíssimo também a todos que mandaram scrap, mensagem pro celular, e-mail, cartão virtual ou que telefonaram.
Saldo Parcial 1: umas 3 cervejas, eu acho; alguns elogios (apesar da data ser suspeita); um novo bar pra ir nas sextas; rever pessoas que eu amo e não via há séculos; rever pessoas que eu tô sempre vendo mas é ótimo ver mais uma vez; alguns “penetras” que foram muito bem-vindos; muuuuuuita risada no banheiro com a Pri e a Manduca (a ponto de sermos expulsas); o cd “The Very Best of George Benson” (valeu!).
Obs.: dane-se, BH!!!!!!!
Sábado à tarde, hora de zarpar pra Guaramiranga, trabalhar. Cumprida a função, a festa continuou.
Saldo Parcial 2: 4 cervejas (um recorde!!); alguns elogios (dessa vez talvez sinceros); rever/conhecer pessoas que eu nunca mais quero ver nem pintadas de ouro; rever pessoas com as quais eu me diverti muito; conhecer a música mais linda do mundo, “Recuerdos”; um par de botas novas com os saltos já estragados de tanto dançar; diversão na mesma medida da decepção; alegria na mesma medida da raiva.
Obs.: dane-se, Mister M!!!!!!!
Saldo Total: ô final de semana desmantelado.
Na famigerada sexta-feira 13, a comemoração da minha vigésima quinta primavera foi no Cumpadi Marinho, lugarzinho que eu ainda não conhecia, mas achei muito aconchegante. A banda de blues foi o detalhe que me fez decidir por lá e, de fato, tocando suavemente ela deu um toque especial. A lista de presença foi recheada de nomes, vários inclusive gravados a ferro e fogo no meu coração: Priscilla & Rafael, Amanda, Danilo, Jordana, Anderson & Aline, Sellaro & Mirella, Suzette & Felipe, Alécio, Goethe, Isaac Cândido & Andréa, Pedro, Márcio & Juliana, Mimi Rocha, Rodrigo etc (caso eu tenha esquecido alguém, foi mal aí...). Agradeço demais a presença e o carinho de todos vocês. Agradeço muitíssimo também a todos que mandaram scrap, mensagem pro celular, e-mail, cartão virtual ou que telefonaram.
Saldo Parcial 1: umas 3 cervejas, eu acho; alguns elogios (apesar da data ser suspeita); um novo bar pra ir nas sextas; rever pessoas que eu amo e não via há séculos; rever pessoas que eu tô sempre vendo mas é ótimo ver mais uma vez; alguns “penetras” que foram muito bem-vindos; muuuuuuita risada no banheiro com a Pri e a Manduca (a ponto de sermos expulsas); o cd “The Very Best of George Benson” (valeu!).
Obs.: dane-se, BH!!!!!!!
Sábado à tarde, hora de zarpar pra Guaramiranga, trabalhar. Cumprida a função, a festa continuou.
Saldo Parcial 2: 4 cervejas (um recorde!!); alguns elogios (dessa vez talvez sinceros); rever/conhecer pessoas que eu nunca mais quero ver nem pintadas de ouro; rever pessoas com as quais eu me diverti muito; conhecer a música mais linda do mundo, “Recuerdos”; um par de botas novas com os saltos já estragados de tanto dançar; diversão na mesma medida da decepção; alegria na mesma medida da raiva.
Obs.: dane-se, Mister M!!!!!!!
Saldo Total: ô final de semana desmantelado.
Friday, May 13, 2005
25
Hoje eu vou de Ataulfo Alves:
“Fui me olhar no espelho
Fiquei com pena de mim
Por me ver tão acabado
Tão triste, desanimado
E eu não sou tão velho assim...”
“25 anos eu tenho de samba
E e o meu prazer é cantar
Tantos desenganos a vida me traz
Mas não deixarei de sambar
Não vivo sem meu violão
Porque tenho a batida do samba
No lugar do coração”.
Eita, 25 anos. Soa pesado. Bateu a crise existencial. Passa rápido demais. É por isso que eu insisto: carpe diem.
Engraçado, eu tinha visto isso naquele filme “Vida de Solteiro” e agora me sinto do mesmo jeito: uma das personagens diz que, quando criança, se imaginava já com filhos e viajando em bolhas quando tivesse 25. Eu também imaginava que nessa idade as coisas estariam mais adiantadas. Dispenso os filhos, por enquanto, e as bolhas. Mas um pouco mais de definição seria bom. Paciência.
Tive um bom ano. Boa saúde, com a minha família por perto, dinheiro pra viver, recuperei amizades perdidas e fiz algumas novas, fiz bons trabalhos, me diverti muito, mudei (pra melhor) em algumas coisas, conheci e fiz coisas incríveis.
Daqui pra frente, com o peso dos 25 anos, acho que terei mais pressa do que nunca. “Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão, o meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver...”
“Fui me olhar no espelho
Fiquei com pena de mim
Por me ver tão acabado
Tão triste, desanimado
E eu não sou tão velho assim...”
“25 anos eu tenho de samba
E e o meu prazer é cantar
Tantos desenganos a vida me traz
Mas não deixarei de sambar
Não vivo sem meu violão
Porque tenho a batida do samba
No lugar do coração”.
Eita, 25 anos. Soa pesado. Bateu a crise existencial. Passa rápido demais. É por isso que eu insisto: carpe diem.
Engraçado, eu tinha visto isso naquele filme “Vida de Solteiro” e agora me sinto do mesmo jeito: uma das personagens diz que, quando criança, se imaginava já com filhos e viajando em bolhas quando tivesse 25. Eu também imaginava que nessa idade as coisas estariam mais adiantadas. Dispenso os filhos, por enquanto, e as bolhas. Mas um pouco mais de definição seria bom. Paciência.
Tive um bom ano. Boa saúde, com a minha família por perto, dinheiro pra viver, recuperei amizades perdidas e fiz algumas novas, fiz bons trabalhos, me diverti muito, mudei (pra melhor) em algumas coisas, conheci e fiz coisas incríveis.
Daqui pra frente, com o peso dos 25 anos, acho que terei mais pressa do que nunca. “Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão, o meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver...”
Wednesday, May 04, 2005
Mostra Buñuel
- Serviço de Utilidade Pública -
Para os amantes do bom cinema:
Mostra Luis Buñuel no cineclube MIS durante os meses de maio e junho, toda terça, às 18:30h. O primeiro foi "Um Cão Andaluz". Eis o restante da programação:
10/05 - "A Idade do Ouro"
24/05 - "Os Esquecidos"
31/05 - "O Anjo Exterminador"
07/06 - "A Bela da Tarde"
14/06 - "Tristana"
21/06 - "O Fantasma da Liberdade"
28/06 - "Esse Obscuro Objeto do Desejo"
Ouvi certa vez uma teoria interessante, uma suposta interpretação para "Um Cão Andaluz", ou pelo menos para parte dele (que Buñuel não me escute). Quando assisti agora nessa mostra, pela terceira vez, suspeitei que possa fazer algum sentido. Alguém se atreve?
Para os amantes do bom cinema:
Mostra Luis Buñuel no cineclube MIS durante os meses de maio e junho, toda terça, às 18:30h. O primeiro foi "Um Cão Andaluz". Eis o restante da programação:
10/05 - "A Idade do Ouro"
24/05 - "Os Esquecidos"
31/05 - "O Anjo Exterminador"
07/06 - "A Bela da Tarde"
14/06 - "Tristana"
21/06 - "O Fantasma da Liberdade"
28/06 - "Esse Obscuro Objeto do Desejo"
Ouvi certa vez uma teoria interessante, uma suposta interpretação para "Um Cão Andaluz", ou pelo menos para parte dele (que Buñuel não me escute). Quando assisti agora nessa mostra, pela terceira vez, suspeitei que possa fazer algum sentido. Alguém se atreve?
Sunday, May 01, 2005
Show do George Benson
Bom demais, bom demais, bom demais. Além do mais, foi bom demais.
”Whenever dark has fallen
you know the spirit of the party
starts to come alive.
Until the day is dawning
you can throw out all your blues
and hit the city lights.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere
so gimme the night. Gimme the night.
You need the evening action,
a place to dine, a glass of wine,
a little late romance.
It's a chain reaction.
You'll see the people of the world
coming out to dance.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere
so gimme the night. Gimme the night.
So come on out tonight
and we'll lead the others
on a ride through paradise.
And if you feel all right
then we can be lovers 'cause I see that
starlight look in your eyes.
Don't you know we can fly?
Just gimme the night. Gimme the night.
And if we stay together,
we'll feel the rhythm of the evening
taking us up high.
Never mind the weather.
We'll be dancing in the street
until the morning light.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere.
So gimme the night. Gimme the night...”
”Whenever dark has fallen
you know the spirit of the party
starts to come alive.
Until the day is dawning
you can throw out all your blues
and hit the city lights.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere
so gimme the night. Gimme the night.
You need the evening action,
a place to dine, a glass of wine,
a little late romance.
It's a chain reaction.
You'll see the people of the world
coming out to dance.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere
so gimme the night. Gimme the night.
So come on out tonight
and we'll lead the others
on a ride through paradise.
And if you feel all right
then we can be lovers 'cause I see that
starlight look in your eyes.
Don't you know we can fly?
Just gimme the night. Gimme the night.
And if we stay together,
we'll feel the rhythm of the evening
taking us up high.
Never mind the weather.
We'll be dancing in the street
until the morning light.
'Cause there's music in the air
and lots of loving everywhere.
So gimme the night. Gimme the night...”
Saturday, April 30, 2005
Aniversário da Lady Di
Primeira parada: MIS, para o lançamento da nova exposição. Bom papo, cervejinha, ok, ok, vamos pra farra. Com tantos articuladores regionais reunidos, não poderia ser diferente: cada um tinha uma direção em mente. Venceu o time da casa e fomos para o “anexo” do Bar do Papai. Eita, eita, que muvuca massa. São Francisco se fez presente e um porquinho de pelúcia foi, sem querer, e no mínimo, irônico. Chega mais um, chega mais outro, e eu desisto de ir embora cedo. Quando esfomeados, pulamos para a outra ponta do quarteirão, mas o ritmo alcoólicômico permanece.
Saldo: 7 horas de comemoração, mais de 10 pessoas na mesa, 40 mil cervejas, São Francisco, um porquinho de pelúcia, um livro, leituras gratuitas de mão para sociabilizar as informações (com o lado negro da Força vindo à tona), muito carinho, muitas risadas, muitas pessoas lindas e pró-ativas.
Feliz aniversário com certeza.
Saldo: 7 horas de comemoração, mais de 10 pessoas na mesa, 40 mil cervejas, São Francisco, um porquinho de pelúcia, um livro, leituras gratuitas de mão para sociabilizar as informações (com o lado negro da Força vindo à tona), muito carinho, muitas risadas, muitas pessoas lindas e pró-ativas.
Feliz aniversário com certeza.
Sunday, April 24, 2005
Os Embalos de Sábado Continuam
“A alegria não parece ter sido feita para o claustro, para se encerrar na comunhão do indivíduo consigo mesmo. Mas para o ar livre, o âmbito comunitário, coletivo. Alegria é contágio. E a nossa alegria mestiça e informal espalha-se irresistivelmente por conta do gregarismo brasileiro. Incorrigivelmente gregários, inventamos todos os pretextos do mundo para propiciar a sua manifestação”. – Antônio Risério.
Wednesday, April 20, 2005
Náufrago, Turista ou Viajante?
Abram alas para a Garota Net. Quando ainda estava doente, assisti, de novo, “Náufrago”, com o carismático Tom Hanks, de novo, que eu acabara de ver em “Mensagem Para Você” (detalhe nos dois filmes: ele ser um velejador). Ter um blog apelidado de “Diário de Bordo”, estar doente, de cama, sem sair nem na esquina e ver um filme com esse título é, no mínimo, irônico. Meu guarda - mancebo parece não ter sido suficiente e lá se fui eu, direto pro mar.
Com certa dose de imaginação, foi possível ver em mim condições semelhantes às da personagem: privada de maiores contatos com o restante da humanidade, passando por terríveis dificuldades físicas e falando com seres inanimados (meus bichinhos de pelúcia, que gracinha pra alguém da minha idade...).
Não bastasse isso, participei da Maratona “Lost”, quando pude ver os episódios que eu tinha perdido desse estranho e envolvente seriado. Mais náufragos. Assim como no filme do Tom Hanks, também por acidente de avião (me lembrem de nunca mais entrar num avião), ambos fora da rota, procurados no lugar errado. Será que estou fora da rota também? Distanciando-me do meu destino? Longe do lugar onde todos imaginam que eu deveria estar? Onde o resgate será pouco provável? Não sei. Todo dia me pergunto isso, todo dia tento corrigir a rota e não me perder. Mas é complicado manter um curso quando não se sabe exatamente para onde se quer ir.
Mas voltando aos náufragos, não é curioso como as pessoas se comportam nesse tipo de situação? Mesmo que tivessem todo o conforto, somente o fato de estarem privadas de contato com o restante da humanidade já é algo desesperador. Longe das construções simbólicas, dos laços afetivos. Que quebra de paradigmas deve ser. Isso me faz pensar que não é a vida em si que importa ou que preocupa num momento desses, mas as construções que fazemos. Sem elas, quase não suportamos nossa própria existência. E homens como Amyr Klink fazem isso deliberadamente. Vêem no isolamento um objetivo a ser alcançado. Por quê? Como ele reagiria como náufrago? Talvez com o mesmo desespero. Diz ele que pior que não concluir a viagem, é nunca partir. Mas, pior ainda que nunca partir, deve ser nunca voltar.
Às vezes, e vai parecer psicologia de beira de calçada, precisamos quebrar alguns paradigmas, e como náufragos, acharmos no novo habitat formas de sobreviver. Não é agradável, e mesmo que façamos parte de um grupo, ainda assim nos sentimos sozinhos. Citando a contribuição do Danilo no post anterior, música do The Police:
“Caminhando essa manha, não acreditei no que vi
Centenas de bilhões de garrafas trazidas até a praia
Parece que eu não estou só em ser solitário
Centenas de bilhões de náufragos, procurando um lar”.
Mas, assim como o personagem de Tom Hanks diz, temos que seguir respirando.
Canta Janis: “ Freedom is just another word for ´nothing left to loose´ ”. Será? Náufragos seriam livres, então. Parece-me que não. Parece-me que, na verdade, tendo ou não algo a perder, nunca nos sentimos livres. Não ter nada também se transforma em algum tipo de aprisionamento. Ou: não, acho que freedom é na verdade não se importar com o fato de ter ou não something left to loose. Ou talvez freedom is just another word.
Náufrago, turista ou viajante? Segundo Lawrence Durrell, viajante é aquele que traz cicatrizes em vez de compras.
Não sei. Quero me crer como viajante. “Eu marquei com cicatrizes cada pedaço do meu olhar”. Mas ser um náufrago um dia é um risco que todos corremos: turistas, viajantes, turismólogos.
O que a maré me trará amanhã?
("Se a escrita serve de remédio para os nervos, conforme palavra dos entendidos, se é expelida pelos nossos gemidos interiores, e salva a gente dos naufrágios, decerto a minha página de ontem deve ter se nutrido da frustração que me acompanha (...)" - Francisco J. C. Dantas)
Com certa dose de imaginação, foi possível ver em mim condições semelhantes às da personagem: privada de maiores contatos com o restante da humanidade, passando por terríveis dificuldades físicas e falando com seres inanimados (meus bichinhos de pelúcia, que gracinha pra alguém da minha idade...).
Não bastasse isso, participei da Maratona “Lost”, quando pude ver os episódios que eu tinha perdido desse estranho e envolvente seriado. Mais náufragos. Assim como no filme do Tom Hanks, também por acidente de avião (me lembrem de nunca mais entrar num avião), ambos fora da rota, procurados no lugar errado. Será que estou fora da rota também? Distanciando-me do meu destino? Longe do lugar onde todos imaginam que eu deveria estar? Onde o resgate será pouco provável? Não sei. Todo dia me pergunto isso, todo dia tento corrigir a rota e não me perder. Mas é complicado manter um curso quando não se sabe exatamente para onde se quer ir.
Mas voltando aos náufragos, não é curioso como as pessoas se comportam nesse tipo de situação? Mesmo que tivessem todo o conforto, somente o fato de estarem privadas de contato com o restante da humanidade já é algo desesperador. Longe das construções simbólicas, dos laços afetivos. Que quebra de paradigmas deve ser. Isso me faz pensar que não é a vida em si que importa ou que preocupa num momento desses, mas as construções que fazemos. Sem elas, quase não suportamos nossa própria existência. E homens como Amyr Klink fazem isso deliberadamente. Vêem no isolamento um objetivo a ser alcançado. Por quê? Como ele reagiria como náufrago? Talvez com o mesmo desespero. Diz ele que pior que não concluir a viagem, é nunca partir. Mas, pior ainda que nunca partir, deve ser nunca voltar.
Às vezes, e vai parecer psicologia de beira de calçada, precisamos quebrar alguns paradigmas, e como náufragos, acharmos no novo habitat formas de sobreviver. Não é agradável, e mesmo que façamos parte de um grupo, ainda assim nos sentimos sozinhos. Citando a contribuição do Danilo no post anterior, música do The Police:
“Caminhando essa manha, não acreditei no que vi
Centenas de bilhões de garrafas trazidas até a praia
Parece que eu não estou só em ser solitário
Centenas de bilhões de náufragos, procurando um lar”.
Mas, assim como o personagem de Tom Hanks diz, temos que seguir respirando.
Canta Janis: “ Freedom is just another word for ´nothing left to loose´ ”. Será? Náufragos seriam livres, então. Parece-me que não. Parece-me que, na verdade, tendo ou não algo a perder, nunca nos sentimos livres. Não ter nada também se transforma em algum tipo de aprisionamento. Ou: não, acho que freedom é na verdade não se importar com o fato de ter ou não something left to loose. Ou talvez freedom is just another word.
Náufrago, turista ou viajante? Segundo Lawrence Durrell, viajante é aquele que traz cicatrizes em vez de compras.
Não sei. Quero me crer como viajante. “Eu marquei com cicatrizes cada pedaço do meu olhar”. Mas ser um náufrago um dia é um risco que todos corremos: turistas, viajantes, turismólogos.
O que a maré me trará amanhã?
("Se a escrita serve de remédio para os nervos, conforme palavra dos entendidos, se é expelida pelos nossos gemidos interiores, e salva a gente dos naufrágios, decerto a minha página de ontem deve ter se nutrido da frustração que me acompanha (...)" - Francisco J. C. Dantas)
Monday, April 18, 2005
Mensagem Para Você
Assisti a esse filme pela milésima vez. Exageros à parte, nem o curso de Cinema na Casa Amarela conseguiu abolir minha simpatia por esses agradáveis filmes românticos que só os americanos parecem saber fazer (simpatia essa que se intensifica quando estou doente e ver tv é a única opção). Esse filme em particular me fez pensar: será esse um dos motivos para se querer um blog? Uma vontade de soltar uma pergunta no espaço, esperando que alguém especial responda?
Que delícia o sonho, a fantasia, a leveza, a serenidade. “Eu te amo sem planos, sem cotidiano, sem porquês, sem final. Eu te amo com o amor mais bonito, para além do infinito, eu te amo”. Sem realidade, continuidade, brigas, traições, tédio, separações. Somente a doçura do primeiro beijo.
Promessas de realização e felicidade. O fato é que compramos a idéia porque acreditamos que possa acontecer. “Minha vida daria um filme”, desejamos secretamente.
Mas, já dizia a sábia frase: enquanto não aparece o homem certo, divirta-se com os errados. Ok. A questão é: haverá o homem certo? Existe isso? O que isso significa? Como saber? Como o reconhecer? O que sentirei? E o pior: terei vontade de permanecer com o homem certo, se encontrá-lo? Será que já o conheci e não notei? Ou notei e me deixei perdê-lo? (“kiss, kiss Mille´s lips...”) Poderá um dos homens errados vir a ser o certo?
Eu, aqui em meu barco, escrevo minhas mensagens, ponho-as dentro de uma garrafa e jogo no mar. Haverá uma resposta, um dia? Haverá cura para o romantismo, um dia? Impressionante: mesmo depois de tantas provas de que a realidade existe... Por que essa necessidade de conexão? Perpetuação da espécie? Razões freudianas?
Ao tentar responder e pensar sobre tudo isso, reconheço que é inegável a vontade de se comunicar com o Outro. Mas percebo ser inegável também que ao manter um blog, a pessoa que mais se aproxima e que melhor fico conhecendo sou eu mesma. E caso alguém ache minha garrafa, eis minhas coordenadas: Rua dos Bobos, nº 0.
PS: nunca li “Orgulho e Preconceito”, e adoro “O Poderoso Chefão”.
Que delícia o sonho, a fantasia, a leveza, a serenidade. “Eu te amo sem planos, sem cotidiano, sem porquês, sem final. Eu te amo com o amor mais bonito, para além do infinito, eu te amo”. Sem realidade, continuidade, brigas, traições, tédio, separações. Somente a doçura do primeiro beijo.
Promessas de realização e felicidade. O fato é que compramos a idéia porque acreditamos que possa acontecer. “Minha vida daria um filme”, desejamos secretamente.
Mas, já dizia a sábia frase: enquanto não aparece o homem certo, divirta-se com os errados. Ok. A questão é: haverá o homem certo? Existe isso? O que isso significa? Como saber? Como o reconhecer? O que sentirei? E o pior: terei vontade de permanecer com o homem certo, se encontrá-lo? Será que já o conheci e não notei? Ou notei e me deixei perdê-lo? (“kiss, kiss Mille´s lips...”) Poderá um dos homens errados vir a ser o certo?
Eu, aqui em meu barco, escrevo minhas mensagens, ponho-as dentro de uma garrafa e jogo no mar. Haverá uma resposta, um dia? Haverá cura para o romantismo, um dia? Impressionante: mesmo depois de tantas provas de que a realidade existe... Por que essa necessidade de conexão? Perpetuação da espécie? Razões freudianas?
Ao tentar responder e pensar sobre tudo isso, reconheço que é inegável a vontade de se comunicar com o Outro. Mas percebo ser inegável também que ao manter um blog, a pessoa que mais se aproxima e que melhor fico conhecendo sou eu mesma. E caso alguém ache minha garrafa, eis minhas coordenadas: Rua dos Bobos, nº 0.
PS: nunca li “Orgulho e Preconceito”, e adoro “O Poderoso Chefão”.
Thursday, April 14, 2005
Hello, I Love You
Carpe diem, né? Ok.
“Hello, I love you
Won’t you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game”
(The Doors)
Eis que alguns detalhes transformam uma terrível obrigação em uma adorável missão. Ansiedade. Sentir-se vivo, pulsando. Há tanto tempo observando e finalmente, rara oportunidade combinada com coragem vinda literalmente do estômago. Ainda assim tremi. Mas a sorte sentou-se ao meu lado, conversou comigo, e pude finalmente relaxar. Pude olhar com calma, enfim, para o que antes era sempre uma imagem da qual se despedir, e fiz acontecer.
Que delícia exercitar o carpe diem e ter o melhor dos resultados.
“Hello, I love you
Won’t you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game”
(The Doors)
Eis que alguns detalhes transformam uma terrível obrigação em uma adorável missão. Ansiedade. Sentir-se vivo, pulsando. Há tanto tempo observando e finalmente, rara oportunidade combinada com coragem vinda literalmente do estômago. Ainda assim tremi. Mas a sorte sentou-se ao meu lado, conversou comigo, e pude finalmente relaxar. Pude olhar com calma, enfim, para o que antes era sempre uma imagem da qual se despedir, e fiz acontecer.
Que delícia exercitar o carpe diem e ter o melhor dos resultados.
Tuesday, April 12, 2005
Carpe Diem
Eu acho que essa lenda de que perto da morte a gente vê um filminho da nossa vida é história pra cinéfilo dormir. Eu só pensei que ia morrer e ponto final. Não deu tempo/espaço de pensar em ninguém, em nada. Em nenhuma das vezes. Dizer o nome do amado no leito de morte? Só se o amado também for médico. Pedir perdão? A mim mesma, por não ter tomado os cuidados devidos. Dizer uma frase de efeito? “Socorro”. Mandar um recado pra alguém? Sim, procurem o John Edwards e tirem a dúvida. Contar um segredo? Sim, que não se vê filminho algum.
Mas, quando o susto passou e a vida voltou ao normal, aí sim, pensei em tudo e todos. Tudo o que eu podia perder, ou melhor, vou, vamos, perder um dia.
Por isso, dane-se quem quiser me convencer de que tudo é assim tão importante. E dane-se quem quiser me convencer de que nada é assim tão importante.
O medo constante de ser a última vez.
O medo constante de - ser - pela última vez.
Carpe diem.
. . .
"`Cause I´ve loved ones in my life
who never knew how much they mean to me
Now I live the regret
my trues feelings for them
never were revelead
So I made promise to myself
to say each day how much they mean to me
and avoid the circumstance
where there´s no second chance to tell them how I feel
So tell that someone that you love
Just what you´re thinking of
If tomorrow never comes (?)"
Mas, quando o susto passou e a vida voltou ao normal, aí sim, pensei em tudo e todos. Tudo o que eu podia perder, ou melhor, vou, vamos, perder um dia.
Por isso, dane-se quem quiser me convencer de que tudo é assim tão importante. E dane-se quem quiser me convencer de que nada é assim tão importante.
O medo constante de ser a última vez.
O medo constante de - ser - pela última vez.
Carpe diem.
. . .
"`Cause I´ve loved ones in my life
who never knew how much they mean to me
Now I live the regret
my trues feelings for them
never were revelead
So I made promise to myself
to say each day how much they mean to me
and avoid the circumstance
where there´s no second chance to tell them how I feel
So tell that someone that you love
Just what you´re thinking of
If tomorrow never comes (?)"
Sunday, April 10, 2005
Embalos de Sábado à Noite
Os embalos desse sábado começaram de acordo com a tradição: samba no Arlindo. Com a deliciosa surpresa de nomes raros terem aparecido por lá (vocês deviam ir mais vezes, viu?). Objetivo: dançar até a banda parar. Durante toda a noite, me encontrava em tamanha paz de espírito e alegria que pude exercer toda a minha capacidade carinhosa com as pessoas amigas à minha volta. Acho que é isso que acontece quando certas coisas sem sentido viram só uma lembrança virada do avesso. Não satisfeitos, implantamos o samba extended version e rumamos para o samba no Amici´s. De cara, encontrei milhares de referências a ecos do passado. Durante o enorme tempo de 3 segundos pensei em retomar contato, mas... pra quê? Causa mortis: falência múltipla de orgãos. Deixa quieto, e me deixe dançar. “E o samba continua na base do ziriguidum, abre a roda moçada, vai entrar mais um”. Ou melhor, entraram mais dois. Com a turma recheada, zarpamos para uma farra na casa alheia, com direito a pit stop no mercado. São Pedro colaborou e mandou uma chuvinha pra acalmar (?) os ânimos. Desvirtuaram o coitado do baralho e tudo vira motivo pra tomar mais uma. Combustível utilizado pelo grupo: cerveja da Antártica, cachaça de Minas e caipirinha do Danilo. Depois, com as equipes formadas, sessão remember com uma brincadeira que pode ser muita divertida, se feita pelas pessoas certas. Não precisa nem dizer que foi sucesso total.
Saldo: 2 cervas (???? tô virando mulherzinha), 2 goles de cachaça, 4 horas de samba, superação de um erro, muito carinho com uma das mais lindas amizades, excelente equipe conquistando a vitória nos jogos olímpicos: 9 x 3 (aha uhu), duas cenas impagáveis: certa pessoa capotada no sofá (tiramos foto, viu? hehehe) e outra imitando o John Travolta.
Em algum momento, eu dizia pro Danilo: deixamos de ser Barrados no Baile pra virar Friends. Sim, em todos os sentidos.
Saldo: 2 cervas (???? tô virando mulherzinha), 2 goles de cachaça, 4 horas de samba, superação de um erro, muito carinho com uma das mais lindas amizades, excelente equipe conquistando a vitória nos jogos olímpicos: 9 x 3 (aha uhu), duas cenas impagáveis: certa pessoa capotada no sofá (tiramos foto, viu? hehehe) e outra imitando o John Travolta.
Em algum momento, eu dizia pro Danilo: deixamos de ser Barrados no Baile pra virar Friends. Sim, em todos os sentidos.
Tuesday, April 05, 2005
Briga Náutica
Meu querido,
treinarei aqui o que pretendo te dizer amanhã (espero conseguir – péssimo ser tagarela só na hora de falar desimportâncias). Meu deus, por onde começar? Por favor, se puder, me perdoe. Fui terrível hoje de manhã. Não sei explicar a razão da minha impaciência. A crítica que você fez, de fato, não era pra mim, mas eu admiro tão intensamente o objeto da crítica, que acabou me ferindo. Foi uma ofensa à minha maneira de pensar, ao que quero ser, a como eu gostaria de viver. O que você chama de discordância, eu vejo como algo bem maior, e chamo de diferentes mentalidades. Pensamos, em certos aspectos, por lógicas tão diversas, que às vezes não tenho mesmo paciência de tentar me explicar. Não duvido que você entendesse, mas... sentir? Não questiono sua inteligência, ao contrário: essa é umas das qualidades em você que mais admiro. Você é o homem que eu mais amo no mundo, e eu daria minha vida por você, mesmo que eu te magoe de vez em quando (raramente, né?). Talvez você saiba que não tenho maldade no coração, e por isso nossa noite tão linda hoje mesmo sem um único pedido de desculpas pronunciado, mesmo depois de um dia todo de distância. Pensei em você tanto, que parecia não te caber mais no meu cérebro. E quando cheguei em casa, o paraíso: você, sorrindo, de braços abertos. Fazendo gracejo, descreveu o meu maior arrependimento como “nossa briga náutica”. E depois, horas de papo bom no escuro. Caberia a citação que meu amigo Danilo tanto gosta: “ah, cala a boca. Você me ganhou quando disse ´oi´ ”. Te amo, pai. Um beijo, sua sempre,
C.
treinarei aqui o que pretendo te dizer amanhã (espero conseguir – péssimo ser tagarela só na hora de falar desimportâncias). Meu deus, por onde começar? Por favor, se puder, me perdoe. Fui terrível hoje de manhã. Não sei explicar a razão da minha impaciência. A crítica que você fez, de fato, não era pra mim, mas eu admiro tão intensamente o objeto da crítica, que acabou me ferindo. Foi uma ofensa à minha maneira de pensar, ao que quero ser, a como eu gostaria de viver. O que você chama de discordância, eu vejo como algo bem maior, e chamo de diferentes mentalidades. Pensamos, em certos aspectos, por lógicas tão diversas, que às vezes não tenho mesmo paciência de tentar me explicar. Não duvido que você entendesse, mas... sentir? Não questiono sua inteligência, ao contrário: essa é umas das qualidades em você que mais admiro. Você é o homem que eu mais amo no mundo, e eu daria minha vida por você, mesmo que eu te magoe de vez em quando (raramente, né?). Talvez você saiba que não tenho maldade no coração, e por isso nossa noite tão linda hoje mesmo sem um único pedido de desculpas pronunciado, mesmo depois de um dia todo de distância. Pensei em você tanto, que parecia não te caber mais no meu cérebro. E quando cheguei em casa, o paraíso: você, sorrindo, de braços abertos. Fazendo gracejo, descreveu o meu maior arrependimento como “nossa briga náutica”. E depois, horas de papo bom no escuro. Caberia a citação que meu amigo Danilo tanto gosta: “ah, cala a boca. Você me ganhou quando disse ´oi´ ”. Te amo, pai. Um beijo, sua sempre,
C.
Tuesday, March 29, 2005
Carta Náutica
Aposentei os óculos. Bato o carro em média 2 vezes por ano. Sou completamente desorientada em termos geográficos. Viajaria por todos os lugares do mundo. Não bebo Coca-Cola. Não tenho medo de altura, nem de velocidade. Já andei pendurada em porta de carro mais vezes do que o bom senso recomenda, já andei a cavalo em todo tipo de paisagem e já fiquei a beira de precipícios porque a vista era legal, mas já quase caí do sexto andar fugindo de um pinto. Logo, minha definição de coragem é dúbia. Faço quase qualquer coisa por um momento bom. Uma das frases mais interessante que ouvi nos últimos tempos: “Envelhecer é foda, mas morrer jovem é pior”. Queria ser imortal e jovem para sempre. Estou deixando o cabelo crescer de novo. Detesto bermudas sem bolsos. Senso de humor é algo importantíssimo. Tenho igual capacidade de rir e de chorar, e de fazer rir e de fazer chorar. Ofendo-me com ridícula facilidade. Não suporto joguinhos amorosos, voto pela naturalidade e sinceridade dos acontecimentos e não tenho paciência para lógicas muito complexas. O que mais gosto de ver numa pessoa é o sorriso. Se ficar cega, terei overdose de música. Se fosse surda, acho que entenderia o conceito de jazz olhando um Pollock. Se eu tivesse voz, eu diria mais. Concerto Brandeburguês nº 3, 1º movimento. A monogamia é um defeito genético. Sou passional e impulsiva, mistura nem sempre interessante. Preciso de muitas horas de sono. Não uso drogas. Meus vícios são açúcar e adrenalina. A rotina estraga qualquer aspecto da minha vida. Nem tudo que é bom tem que durar pra sempre, porque não dura mesmo. Do grande amor da minha vida só me importou de fato um único segundo. Ainda não inventaram meio de transporte mais rápido que o livro. A dança é eficaz exorcismo. Devires. Se algum dia eu pensar seriamente em ter filhos, estarei vivendo a maior mudança da minha vida. Sou fã do Amyr Klink. Ainda não fiz nem metade do que pretendo deixar feito antes de morrer, mas desconfio que eu diria a mesma coisa mesmo se vivesse por 100 anos. Tudo o que já li por aí sobre o signo de Touro dá certo comigo, ceticismos à parte. Sinto-me muito bem em água de todo tipo de fonte, do chuveiro ao mar. Sou fonte quase inesgotável de carinho, dando e recebendo. Eu não acredito em Deus. “Andar na moda” é umas das mais ridículas construções humanas. Lembro de um professor do tempo de colégio dizendo, segurando o relógio: “Quem usa um negócio desses, não pode ser feliz”. Gosto de anéis e pulseiras. Batom só vale escuro. A maior sorte da minha vida, depois de nascer com saúde, foi a minha família. Ética é umas das qualidades que mais prezo. Nem toda sinceridade é publicável. Eu ainda não sei o quero ser quando crescer. A Arte é umas das mais preciosas invenções humanas. As diferenças culturais são fascinantes. Eu sinto a música também na pele. Eu invejo todo e qualquer tipo de autonomia e independência. A minha memória é péssima testemunha. Eu sou irreverente e alheia a certas convenções que não compreendo. Intensidade. Finitude. Plenitude. Paz de espírito. Impossibilidades. Tagarela ou monossilábica. Às vezes, áspera. Atenciosa. Tudo por um grande amor. “Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação” – Mário Quintana.
Monday, March 28, 2005
Termômetro
Acho que descobri uma finalidade para esse tal blog: um termômetro. Sim, porque um simples diário que se guarda na gaveta não se compara a um diário que qualquer pessoa do mundo possa ler. Um diário público é como um Big Brother (esse programa estúpido que faz tanto sucesso). Um diário público precisa ter emoção, suspense, sustos, ação, dramas, conquistas, aventuras e finais surpreendentes. Agora, voltemos à vida real: quantos dos nossos dias apresentam algum desses sintomas? Só se for o susto do valor da conta do celular, o drama de sobreviver a um assalto, a aventura de cruzar a cidade debaixo de chuva. E o final surpreendente: mais um dia se passou, e você não fez absolutamente nada demais da sua vida. 24 horas gastas com a mais insossa – e comum - das existências: jornal, trabalho, trânsito, tv etc. Não, eu me recuso. O nome do blog é Diário de Bordo, e o barco em si chamar-se-á Termômetro. Vejamos por onde ele navega, pra que águas ele corre. E ao fim do dia, que eu possa cansar de tanto escrever as novidades para finalmente concluir: hoje fiz valer a pena cada respiração, cada uma das 90.000 batidas do meu coração.
Sunday, March 27, 2005
E sobe a âncora...
Ok. Aderi a esse tal de blog. Ainda analisando qual é a vantagem. Mas como algumas das pessoas que mais admiro criaram os seus, eu suponho que haja algo de bom nisso. Vejamos.
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